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Cinema · · 3 min de leitura ·

Exclusivo: Xavier Dolan, premiado no Festival de Cannes, fala sobre as dificuldades enfrentadas com Juste la Fin du Monde

Exclusivo: Xavier Dolan, premiado no Festival de Cannes, fala sobre as dificuldades enfrentadas com Juste la Fin du Monde




Não é exagero dizer que Xavier Dolan é "filho de Cannes". Seu primeiro longa-metragem foi Eu Matei Minha Mãe, rodado quando tinha apenas 19 anos e exibido no festival de 2009. Desde então, outros quatro longas por ele dirigidos passaram pela Croisette. O mais recente deles é Juste la Fin du Monde, exibido neste ano, que lhe rendeu o Grande Prêmio do Júri.

Dias antes da premiação, participamos de uma round table com Dolan. Nela, o diretor pôde falar um pouco sobre como foi a adaptação da peça teatral para o cinema, o trabalho com atores consagrados, a escolha da trilha sonora e a angústia que sente por ter se afastado do trabalho como ator – e de que forma busca minimizar isto durante as filmagens. Confira!

Baseado na peça homônima escrita por Jean-Luc Lagarce, Juste la Fin du Monde é a segunda adaptação de um texto do teatro para o cinema feita por Dolan, que já havia tido o mesmo trabalho em Tom na Fazenda. Para o diretor, esta transposição esteve longe de ser um desafio. "Não foi um desafio porque eu decidi que ia manter a teatralidade. Acredito que muita gente tem medo do teatro. Quando as pessoas saem de uma sessão de um filme adaptado de uma peça, você ouve coisas como 'ah, foi um ótimo filme, nem deu para sentir a teatralidade, nem deu para sentir que era uma peça'. Eu não me importo com isso, com parecer ou não com uma peça, porque tinha a consciência de estar embarcando em uma jornada teatral com Jean-Luc Lagarce. A linguagem dele é muito sofisticada e precisa, muito única, e ela foi, antes de mais nada, a razão principal que me fez querer adaptar a peça."

Curiosamente, Dolan não gostou nem um pouco da peça escrita por Lagarce quando a conheceu. "Eu precisei de cinco anos para gostar da peça e adivinha só? Eu achei irritante na primeira vez em que a li. Achei que era grosseira, agressiva."

Após tanto tempo, o que mudou para que enfim resolvesse adaptá-la para o cinema? "Eu li novamente com os atores em mente, isso ajudou, mas também notei muitos detalhes que não tinha percebido anteriormente no texto [..] Não importam as palavras que estão sendo ditas porque, no fim das contas, é um grande falatório para dizer tudo, menos o que é realmente importante. E foi isso que me interessou. Porque, ao ler a peça, eu me apaixonei pelas palavras e pela escrita, mas e aqueles pequenos momentos entre essa fala e aquela? Eu sei o que poderia fazer aqui, nesse instante, nesse momento de pausa… aqui pode existir um silêncio, um olhar… Tudo estava na peça quando a li. Ficou claro para mim que seria um filme de atores e que os atores utilizariam as palavras do seu jeito, mas eu não faria concessões, tentaria manter a linguagem do filme exatamente como a da peça, mesmo não sendo esse o ponto mais importante."

"A linguagem da peça é muito anti-cinematográfica. Mas, algumas vezes, nós decidimos fazer filmes que não são tradicionais", afirmou o diretor. "Nesse caso, parece necessário colocar toda a equipe fora da zona de conforto. Para os atores, esse processo…

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