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Cinema · · 2 min de leitura ·

Festival de Berlim 2017: Botando o dedo na ferida para falar de política, sexualidade e deficiência física

Festival de Berlim 2017: Botando o dedo na ferida para falar de política, sexualidade e deficiência física




Nosso terceiro dia no Festival de Berlim foi repleto de surpresas, com filmes polêmicos que dividiram o público e a crítica. Para cada grito de "genial", três pessoas saíam no meio da sessão, inconformadas com o que viam.

Saiba um pouco mais sobre os filmes, leia as nossas críticas e assista ao vídeo-diário diretamente da 67ª Berlinale:

Já pensou o que aconteceria se os animais se unissem em busca de vingança contra os humanos? Esta é a ideia improvável de Pokot ("Rastros"), uma mistura de suspense e comédia escrachada da diretora Agnieszka Holland. O roteiro tem surpresas de sobra para o público, mas nem sempre elas fazem muito sentido.

Pieles, do jovem diretor espanhol Eduardo Casanova, incendiou a plateia da Berlinale, deixando uns tantos espectadores enojados e outros maravilhados com a ousadia de contar histórias sexuais de pessoas deformadas, ora com problemas reais, ora com doenças fictícias. É preciso ter bastante estômago para aguentar a abordagem do diretor…

O drama chileno Una Mujer Fantastica acompanha a vida de uma garçonete transexual, Marina (Daniela Vega) que perde o namorado após uma doença e passa a sofrer ataques da família dele. Excelente no retrato da transfobia sofrida pela protagonista, o filme incomoda por usar algumas metáforas óbvias, e arriscar muito timidamente no universo fantástico. Mesmo assim, tem grandes chances de conquistar algum prêmio no júri oficial.

No Intenso Agora, documentário brasileiro de João Moreira Salles, usa apenas imagens de arquivo das revoluções culturais e políticas de 1966-1968 em Paris, Praga e China, além de vídeos da resistência contra a ditadura militar no Brasil. O diretor questiona a dissolução dos movimentos sociais e a maneira como foram tratados em imagens oficiais e registros amadores da época. Um excelente estudo, e certamente um dos melhores filmes da Berlinale até agora.

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