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Cinema · · 2 min de leitura ·

Festival de Brasília 2015: Fome faz retrato contundente dos moradores de rua

Festival de Brasília 2015: Fome faz retrato contundente dos moradores de rua




O diretor Cristiano Burlan e o ator Jean-Claude Bernardet apresentaram o filme na segunda noite da mostra competitiva.

Depois de uma primeira noite leve, a mostra competitiva do 48º Festival de Brasília adquiriu tons mais sombrios na segunda noite. Foram apresentados os curtas-metragens Tarântula e Rapsódia Para o Homem Negro, além do longa-metragem Fome.

Todos os filmes lidam com questões sociais, como a miséria, a falta de moradia e a deficiência física. As obras questionam o modo de lidar com os problemas, seja pela via pessoal da vingança, seja na consciência de uma ação coletiva. 

Tarântula, de Aly Muritiba, traz a misteriosa história de uma família composta por três mulheres: a mãe solteira e as duas filhas pequenas. A menor delas, sem uma perna, cria um vínculo afetivo com o novo namorado da mãe, que não possui um dos braços. Mas a irmã mais velha, ameaçada por essa nova amizade, manipula a família para obter vingança.

O diretor constrói imagens espetaculares (vide foto acima), fruto de uma fotografia delicada, que trabalha muito bem os tons escuros, e da precisão cirúrgica da montagem. Sugerindo várias ideias sem mostrá-las de fato na tela, o horror do curta-metragem se constrói de maneira eficaz na cabeça do espectador (incluindo sugestões assustadoras com bonecas, fios pendurados e água fervendo). Este foi, até agora, o melhor curta em competição.

Rapsódia Para o Homem Negro surpreende: apesar de ser produzida pelo talentoso grupo do Filmes de Plástico, acostumado às crônicas cotidianas, o filme possui um escopo muito maior, tornando-se mitológico, épico, e de um militantismo agressivo, que não faria feio ao polêmico Sérgio Bianchi. 

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