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Cinema · · 3 min de leitura ·

Festival de Cannes 2016: Análise geral do evento

Festival de Cannes 2016: Análise geral do evento




Confira o que achamos da edição 2016 do festival de cinema mais importante da atualidade!

Cannes, em 2016, foi diferente. E não me refiro à quantidade ou à qualidade dos filmes exibidos, mas ao evento como um todo. A sombra de possíveis ataques terroristas modificou não apenas a rotina de quem veio cobrir o festival, precisando se acostumar a revistas mais rigorosas ou a guardas fortemente armados andando pelas ruas, mas também a quem simplesmente viria para a cidade no intuito de aproveitar as badaladas festas, que sempre giram em torno do evento. Resultado: a cidade esteve menos cheia que o habitual, algo que se podia perceber especialmente nos finais de semana e ao término das sessões noturnas.

Em relação aos filmes, Cannes 2016 também foi um evento incomum. Com uma seleção bastante irregular na mostra competitiva, poucos foram os grandes filmes e muitas as decepções. Não foi à toa que o índice de vaias foi bastante elevado para o padrão do festival, com três competidores da Palma de Ouro recebendo apupos a plenos pulmões (The Neon Demon, Personal Shopper e The Last Face), e outros dois precisando dividir espaço com aplausos (Juste la Fin du Monde e Toni Erdmann, na segunda sessão para a imprensa). Demonstração precisa do quanto os títulos selecionados dividiram opiniões.

Curiosamente, o inverso aconteceu na mostra Un Certain Regard. Com uma seleção apostando em diretores (ainda) pouco conhecidos, a segunda mostra mais importante do evento trouxe um frescor revigorante em filmes como o egípcio Clash, o russo Uchenik, o americano Captain Fantastic e a animação franco-japonesa The Red Turtle. Todos são melhores que, pelo menos, metade da mostra competitiva. O japonês After the Storm, dirigido pelo já premiado Hirokazu Koreeda (Pais e Filhos), também merecia ser promovido à disputa pela Palma de Ouro.

Outra mostra que merece destaque é a paralela Quinzena dos Realizadores, que demonstrou força ao exibir Neruda, de Pablo Larraín, e os novos filmes de Marco Bellocchio e Alejandro Jodorowsky – Sweet Dreams e Poesia Sin Fin, respectivamente. Todos muito elogiados por quem conseguiu uma brecha na agenda para assisti-los.

Quem também brilhou no festival deste ano foi o cinema brasileiro. Seja com Aquarius, por muitos apontado como o melhor filme da mostra competitiva, ou com os premiados Cinema Novo (prêmio L'Oeil d'Or de melhor documentário) e A Moça que Dançou com o Diabo (menção especial na mostra competitiva de curtas). O protesto de Kleber Mendonça Filho e sua equipe contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, no tapete vermelho da sessão de gala, ganhou destaque mundo afora, resultando em uma enxurrada de questionamentos da imprensa internacional aos jornalistas brasileiros que cobriram o evento. Por outro lado, opositores ao antigo governo deram início a um boicote a Aquarius, mesmo sem sequer terem avaliado o longa-metragem. A História já deu suficientes exemplos do quão perigoso pode ser o cerceamento de ideias.

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