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Cinema · · 2 min de leitura ·

Festival de Gramado 2016: Noite de comédias tem o divertido El Mate e o fraco Campaña Antiargentina

Festival de Gramado 2016: Noite de comédias tem o divertido El Mate e o fraco Campaña Antiargentina




A noite de 31 de agosto trouxe duas comédias à mostra competitiva do 44º Festival de Cinema de Gramado. Embora as equipes tenham feito apresentações sérias, se mostrando preocupadas com os rumos políticos do país, a realidade citada no palco cedeu espaço a obras despretensiosas e assumidamente absurdas.

El Mate, de Bruno Kott, é uma obra "horizontal", nas palavras do cineasta, trabalhando com poucos recursos e criação coletiva de todos os membros da equipe. A trama gira em torno de um assassino de aluguel, cuja noite se transforma quando um missionário evangélico entra em sua casa e descobre a presença de um refém.

O filme é curto, apostando no humor derivado do embate entre duas figuras muito diferentes. O resultado funciona, sobretudo, pela atuação inspirada do argentino Fábio Marcoff, que também está presente em outro título da mostra competitiva, O Roubo da Taça. O público riu muito com piadas sobre Jean-Claude Van Damme e celulares caindo na privada. Ao final, os aplausos foram calorosos.

Campaña Antiargentina, de Alejandro Parysow, foi o representante da mostra latina. A comédia traz um falso documentário dentro de outro falso documentário: no caso, um cantor famoso e burro (Juan Gil Navarro) descobre uma conspiração para sabotar o país, envolvendo Carlos Gardel, Evita Perón e Maradona, decide fazer seu próprio documentário para comprovar a tese.

A narrativa é longa, excessiva e nonsense. Todos os tipos de recursos cinematográficos são utilizados, de Playmobils a câmeras escondidas, de imagem de arquivo a karaokê. O humor é tão insistente que cansa, e a costura caótica não permite o desenvolvimento das ideias. Após o fraquíssimo Espejuelos Oscuros, esta segunda obra de qualidade duvidável desperta a atenção quanto à curadoria da mostra latina.

A noite trouxe dois curtas-metragens documentais sobre o trabalho de outros artistas. Lembranças do Fim dos Tempos, de Rafael Câmara, acompanha os conflitos do artista plástico Pedro de Kastro que pode perder a visão após um acidente, sendo obrigado a abandonar a carreira. O documentário tenta trazer para as suas próprias imagens o estilo do artista, resultado numa bela fusão de linguagens e num retrato impactante, sem condescendência. 

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