Festival de Toronto 2015: Stephen Frears retrata ciclista Lance Armstrong como grande vilão

O ciclista Lance Armstrong tem uma história de vida, no mínimo, curiosa. Entre 1999 e 2005, portanto por sete vezes seguidas, venceu o prestigiado Tour de France, feito que, por si só, já daria um filme. Mas tem mais. Em 1992, aos 21 anos, ele tinha acabado de começar a carreira no esporte, quando foi diagnosticado com um câncer de testículo. Armstrong entrou em tratamento e, não só venceu o mal, como fundou uma instituição de combate à doença, com foco no cuidado infantil.
Numa inversão, o atleta foi do fundo do poço à glória. Conclusão lógica: Lance Armstrong se tornou um herói mundial, admirado por todos, o tipo a quem as celebridades queriam ter sua imagem associada. O ponto de virada dessa história viria em 2012, quando, depois de já ter se aposentado, o esportista confessou ter feito uso de doping. Não uma ou duas vezes – o que não o desculparia, de toda forma –, mas a vida esportiva inteira.
As suspeitas sempre pairaram sobre o quadro da bicicleta de Lance. Mas ninguém queria de fato acreditar. A dúvida, porém, não é um benefício com o qual o ciclista pode contar em The Program, filme dirigido por Stephen Frears, exibido pela primeira vez no Toronto International Film Festival 2015 (TIFF).
Baseado no livro “Seven Deadly Sins: My Pursuit of Lance Armstrong”, do jornalista David Walsh – sem tradução no Brasil –, o longa traz Ben Foster (X-Men – O Confronto Final) no papel do protagonista, um sujeito determinado e ambicioso, que se torna obcecado e arrogante na versão de Frears (do mundo?)
A obra traz Walsh – que também contribuiu com o roteiro – como personagem. Interpretado por Chris O'Dowd (ator associado a papéis cômicos, muito à vontade nesse drama), ele é o responsável por suspeitar do desempenho de Armstrong desde a página dois – do roteiro.
Antes ainda da doença, Lance procura o médico italiano Michele Ferrari (Guillaume Canet), um pesquisador em medicina desportiva adepto de “novas formas” de melhora de rendimento para que o profissional o oriente, obtendo como resposta que seu tipo físico, forte demais, não é adequado para o esporte. E o próprio Ben Foster confessou, em entrevista recente à revista Sports Illustrated, ter usado medicamentos em sua preparação para o filme.
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