Festival do Rio 2014: Daniel Burman e Ines Estévez falam sobre O Mistério da Felicidade

O diretor apresentou a sua nova comédia dramática, com lançamento previsto para novembro nos cinemas brasileiros.
O diretor Daniel Burman tem uma longa história com o Festival do Rio. Com exceção de um único filme, todas as suas produções foram exibidas no evento brasileiro, e não poderia ser diferente com O Mistério da Felicidade, nova comédia dramática do diretor. Nesta história, Santiago (Guillermo Francella) sofre com o desaparecimento do melhor amigo (Fábian Arenillas), e conta com a excêntrica esposa dele (interpretada por Ines Estévez) para efetuar as buscas e seguir com a vida.
Como sempre na filmografia do cineasta, a trama combina drama, comédia e um pouco de romance, com cenários que alternam entre a Argentina e o Brasil. Burman conversou com a imprensa sobre esta coprodução, sobre seus temas preferidos e sobre a nova história. Confira alguns trechos da conversa:
A intenção com este filme, de acordo com Burman, era mostrar que "os vínculos emocionais de qualquer tipo estão fechados em contratos, a gente sempre pensa que vai durar para sempre". Assim, com o desaparecimento de um personagem, o diretor revela como as nossas vidas estão pautadas por surpresas. Ao invés de falar da felicidade absoluta, ele busca "uma ideia de felicidade", uma versão possível do sentimento.
Ines Estévez tinha se aposentado da profissão de atriz há nove anos, por não encontrar mais projetos estimulantes. Foi O Mistério da Felicidade que a fez mudar de opinião e retornar às artes dramáticas: "Graças ao filme, redescobri a felicidade e o amor pelo trabalho", afirma. Segundo a atriz, o filme é único porque foge das histórias grosseiras, sendo "uma comédia com substância", "um cinema construtivo, que deixa uma resposta positiva".
Burman e a produtora brasileira Walkiria Barbosa tentaram conseguir financiamento do governo brasileiro, reconhecendo o filme como uma coprodução entre Brasil e Argentina. "O reconhecimento da coprodução demorou quase nove meses, e a gente tinha contratos, não dava para esperar", afirma Walkiria. Como a espera implicaria na perda dos atores principais, que já estavam ocupados com outros projetos, todos concordaram em realizar o filme apenas com financiamento privado. "É uma pena que não possamos pensar a médio prazo em (facilitar as) coproduções oficiais", insiste Burman.
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