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Cinema · · 2 min de leitura ·

Festival do Rio: Entrevista com Domingos Oliveira, “há 46 anos falando de amor”

Festival do Rio: Entrevista com Domingos Oliveira, "há 46 anos falando de amor"




O veterano cineasta brasileiro está presente no Festival do Rio 2012 para apresentar sua nova comédia dramática, Primeiro Dia de um Ano Qualquer.

Entrevistar Domingos Oliveira é experiência muito agradável. Aos 76 anos de idade, o diretor chegou na sala de imprensa cheio de disposição, fazendo piadas e cantando There's no business like show business, entoado também pelos jornalistas presentes. O cineasta brasileiro esbanja simpatia, espontaneidade, além de uma inteligência notável.

No Festival do Rio, ele veio apresentar Primeiro Dia de um Ano Qualquer, uma comédia dramática bastante pessoal, interpretada por sua trupe tradicional (Maitê Proença, Dedina Bernardelli, Priscilla Rozenbaum, Ricardo Kosovski) e produzida por Tereza Gonzalez. A história gira em torno de uma dezena de personagens que, no dia 1 de janeiro, relembra a festa na véspera e os problemas amorosos de cada um. O grupo conversou sobre a origem do projeto e sobre as dificuldades de produção de um filme deste porte:

Domingos, você está falando de amor há 46 anos, desde Todas as Mulheres do Mundo (1966), e também dando um grande espaço aos atores.

Domingos Oliveira: 46 anos, é tudo isso? Não sabia. Eu aconselho a todos vocês que não pisquem. Se piscarem, vocês já terão 76 anos, é perigosíssimo. Sobre a questão do ator, é preciso saber que eu mesmo sou ator, esta é a minha primeira formação. Eu acho a arte do ator uma grande arte. Oscar Wilde dizia que a maior das artes era a música, sem dúvida, mas a maior arte do ponto de vista do conteúdo era a arte do ator. O ator tem que viver o personagem, porque este não existe, ele não passa de linhas num papel. Quem existe é você. É preciso usar a imaginação, e isso é algo formidável.

Maitê Proença: É isso mesmo. Nós nos reunimos frequentemente na minha casa, na montanha. A gente estava lá, sem ter o que fazer. O Domingos estava fotografando, e de repente ele disse: “Isso aqui é muito bonito, mas muito parado. Falta movimento, a gente precisaria fazer uma foto contínua…” E foto contínua é algo que ele sabe fazer! As histórias começaram a surgir a partir das pessoas que estavam ali, e tudo foi costurado em um roteiro. Do começo da ideia até o produto final, foram uns 4 meses apenas, e somente 12 dias de filmagem.

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