Game of Thrones: Na temporada de Jon Snow, são as mulheres que brilham (Crítica)

Qualquer série de TV a que se assista é apreciada de forma diferente dependendo de inúmeras situações em que o espectador se encontra. Um formato de consumo que nunca sai de moda é a maratona, e é absolutamente normal (e até esperado) que tenhamos reações diferentes a uma temporada inteira se a acompanhamos episódio por episódio, semanalmente, ou se a consumimos inteira de uma vez. Game of Thrones é exibida na TV, com um episódio por semana, e o seu enorme público espera por praticamente dez meses entre uma temporada e outra. É uma das maiores e mais repercutidas séries de TV da atualidade. E, por isso, dela se exige um bocado.
A sexta temporada chegou envolta por muitas expectativas, após o quinto ano ter deixado no ar um gancho que virou pauta de infindáveis boatos – e notícias – durante as gravações. “Jon Snow, vivo ou morto?” foi a questão que não saiu do foco durante o hiato, e até o corte de cabelo do Kit Harington precisou ser acompanhado. Mas este não foi o único motivo que fez da sexta temporada diferente. Foi a primeira vez que uma temporada da série ultrapassou oficialmente os livros, e assim poderia deixar para trás os “fiscais da adaptação” – aquele grupo de fãs que leu os livros de George R.R. Martin e sempre encontra motivos para criticar passagens que foram modificadas. Com maior ‘liberdade criativa’, os produtores David Benioff e D.B. Weiss adiantaram antes mesmo da estreia que a temporada, então inédita, seria muito diferente de As Crônicas de Gelo e Fogo. E foi.
Em uma perspectiva geral (comparando às temporadas anteriores), o que a série fez de diferente – e positivo – nesta não apaga os pontos em que continuou repetindo falhas. É óbvio que, mais uma vez, GoT entregou uma temporada com muitos momentos que tomaram conta das conversas nas rodas de amigos e das notícias, durante semanas – e continuarão no foco nos próximos dias. Impossível não destacar a saída de cena, em grande estilo, de Hodor. Hodor! A história por trás do nome é simples e arrebatadora – mérito de Martin –, e a execução da cena é de arrepiar. A montagem que intercala as cenas do passado com as cenas do ‘gigante amigo’ entregando a vida para salvar Bran e Meera ao norte da Muralha no presente, ao final do episódio 5, vai ficar nas mentes das pessoas durante muito tempo.
O que transforma Game of Thrones em um fenômeno quase unânime da cultura pop são os momentos grandiosos, como este de Hodor, como a Batalha dos Bastardos, do episódio 9, executada de maneira praticamente impecável, ou a sucessão de reviravoltas do final da temporada. Sem surpresas, o ano seis esteve cheio destes momentos, e para continuar citando os que tomaram a internet, o grande momento de Daenerys (Emilia Clarke) no episódio 4 também entra para a lista. Mas seria impossível e contraproducente para a série se ela se prestasse a entregar uma dessas cenas de tirar o fôlego a cada episódio – e é quando ela tira o pé do acelerador que a temporada acaba caindo em certos equívocos.
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