“Hemlock Grove é uma metáfora sobre se sentir monstruoso”, diz o diretor e produtor Eli Roth

O cineasta Eli Roth é mais conhecido como o diretor de vários filmes de terror como O Albergue e Canibais, além de fazer alguns trabalhos como ator em Bastardos Inglórios, por exemplo. Mas Roth é sobretudo um produtor atarefado, responsável por dezenas de filmes de terror, e também pela série de sucesso Hemlock Grove, disponível na Netflix.
De passagem pelo Brasil, ele conversou sobre a criação da série, sobre o universo único desta história cheia de monstros, e revelou o que realmente significa ser um monstro em seu ponto de vista. "Histórias de terror são contos de fada para adultos", ele defende. Confira as interessantes ideias de um cineasta prodígio do gênero fantástico:
"Hemlock Grove foi a primeira coisa que eu dirigi depois de atuar em Bastardos Inglórios. A maneira como eu dirigi atores e cenas foi muito influenciado pela maneira como eu vi Tarantino trabalhando. Os filmes dele são sempre muito estilizados, todo mundo pensa que existe um storyboard ou uma graphic novel que acompanham, mas o processo é muito mais orgânico do que parece. Ele começa com os atores atuando em um espaço, depois sente o que parece mais natural, e só aí decide trazer a câmera".
"Eu estava empolgado para dirigir novamente, e foi um bom passo antes de dirigir Canibais. Eu queria voltar à cadeira do diretor. Foi ótimo trabalhar com a Netflix, porque nós encaramos Hemlock Grove como um filme de 13 horas na primeira temporada, e um filme de 10 horas na segunda temporada. Foi a minha primeira vez adaptando algo. Eu realmente adoro o romance de Brian McGreevy. Quando o produtor me trouxe o livro, ele disse: 'Tem vampiros e lobisomens, mas não é Crepúsculo, não se preocupe!'. Eu li e era muito mais próximo de Twin Peaks. Achei ótimo, dava uma trama de assassinato estranha, sombria, violenta".
"Eu pensei: se você realmente vai fazer uma série sobre um garoto de 17 anos que pode hipnotizar pessoas e tem sede de sangue, então quando uma bela líder de torcida vai colocar o seu absorvente, ele pode segui-la no banheiro, hipnotizá-la e fazer sexo oral nela, dar o melhor orgasmo que ela já teve! E a Netflix adorou! Eles queriam estes momentos chocantes que fariam todo mundo comentar no dia seguinte. Eles não precisam de audiência, eles trabalham com inscrições e ações".
"É incrível o que aconteceu com Breaking Bad, que era de outra emissora, mas sofreu o 'efeito Netflix': todo mundo falava do final, então a melhor maneira de assistir ao final era voltar e ver as três primeiras temporadas na Netflix. Além disso, dez anos atrás quando eu estava fazendo O Albergue, as séries demoravam demais para ficarem prontas e para serem exibidas. Desperate Housewives estava começando a produção quando eu estava filmando O Albergue 2. E as pessoas em Praga ainda não tinham visto a série, que demorava demais para chegar lá. Hoje, quando uma série estreia nos Estados Unidos, ela está no ar no mundo inteiro. E todo mundo fala a respeito nas redes sociais, no Twitter. O que a Netflix fez, foi criar…
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