Mostra de São Paulo 2016: A diretora María Aparicio explica a mistura de ficção e documentário em As Ruas

Conversamos com a cineasta sobre o filme argentino, extraído de uma história real de cidadania.
Na pequena cidade argentina de Puerto Pirámides, as ruas não tinham nome. Uma professora da escola local decidiu reunir os alunos para efetuar um projeto de cidadania: juntos, entrevistaram os moradores do local para conhecer a história de cada rua e, através de um sistema de votação envolvendo todos os habitantes, batizar cada via da cidade.
A jovem diretora María Aparicio decidiu levar a história às telas em As Ruas, mistura de ficção e documentário. Por um lado, a professora é interpretada pela experiente atriz Eva Bianco, por outro lado, as crianças e moradores em tela contam as suas histórias reais diante das câmeras. O resultado foi exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e o AdoroCinema foi conversar com a cineasta sobre este projeto singular.
María Aparicio: A produtora do filme Natalia Gamarro conhecia a professora que iniciou o projeto. Ela me contou sobre essa história e começamos a trabalhar juntas no filme. Até hoje, continuo achando o que o que essa professora e seus alunos fizeram foi fascinante. Quando ela me contou essa história, eu estava pensando muito sobre filmes que cruzam ficção e documentário. Conforme o tempo passou, me dei conta de que esse é um assunto que me interessa muito: a ficção nutrida por elementos reais.
Assim que eu tive a chance, viajei para Puerto Pirámides. Não conhecia a Patagônia, não conhecia a pesca local, não conhecia nada sobre o lugar. Na primeira viagem, conheci Eugenia e muitas das pessoas que participaram do filme. Trabalhei com o povo de lá, conheci as crianças da escola e depois disso, retornei à Córdoba. Começamos a escrever o roteiro, pensar o trabalho de câmera, pensar em como filmaríamos. Regressamos à Puerto Pirámides, filmamos durante três semanas e, dois anos e meio depois, terminamos o filme.
María Aparicio: O roteiro que criamos era mais uma ferramenta para a equipe técnica, para facilitar a nossa comunicação e organizar o que queríamos fazer. As pessoas não leram diálogos, só poucas situações. Nós apresentamos alguns temas iniciais para eles, umas pequenas ideias e eles trabalhavam em cima disso. A presença de Eva Bianco, que interpreta a professora e de Mara Santucho, a mulher da rádio, foi muito importante. Elas foram importantes porque conduziram as crianças, os entrevistados. Com as pessoas da cidade foi muito fácil, porque entenderam perfeitamente o que nós estávamos fazendo. O fato de nossa equipe ser pequena também deu um aspecto familiar à produção.
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