Mostra de Tiradentes 2016: Três filmes muito distintos sobre a proteção aos índios

Depois de Serras da Desordem e Índios Zoró, foi a vez de Taego Ãwa ser exibido ao público.
A três dias do término da 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos temas recorrentes entre os títulos selecionados é a cultura indígena. Já foram três documentários sobre este tema: Serras da Desordem, na abertura do evento, Índios Zoró – Antes, Hoje e Agora?, e Taego Ãwa, ambos em competição ao prêmio principal da Mostra Aurora.
Serras de Desordem, de Andrea Tonacci, é sem dúvida alguma o projeto mais robusto dos três, fazendo amplo retrato social, político e cultural das tribos indígenas. Mesmo assim, Taego Ãwa possui as qualidades notáveis: a partir de registros de arquivo, os diretores Marcela Borela e Henrique Borela combinam o retrato da tribo Ãwa nos anos 1970 e agora, destacando a perseguição dos brancos.
O filme sofre com problemas técnicos, incluindo fotografia desigual e dificuldades de captação de som. Mesmo assim, surpreende ao abordar temas políticos de modo corajoso, através de uma montagem tão caótica quanto criativa. Pelo menos, o documentário apresenta um olhar respeitoso, diferentemente de Índios Zoró.
Na Mostra Transições, Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois conclui a trilogia do cineasta Petrus Cariry sobre a morte. Como em Mãe e Filha, o diretor carrega as tintas na construção de clima, com fotografia sombria, trilha sonora contundente, atuações soturnas e litros de sangue.
A escolha impressiona, mas no que diz respeito à narrativa, a história nunca alcança os tons épicos propostos pela imagem. Os atores Sabrina Greve e Everaldo Pontes se esforçam para conferir profundidade a personagens desenvolvidos superficialmente.
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