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Cinema · · 3 min de leitura ·

“O espaço faz o homem”, diz Carolina Sá, diretora do documentário Construção

"O espaço faz o homem", diz Carolina Sá, diretora do documentário Construção




Este filme, que estreia nesta sexta-feira, articula duas histórias familiares da cineasta para refletir sobre o espaço e os afetos.

Nesta sexta-feira, dia 23 de novembro, chega aos cinemas o documentário Construção, da diretora Carolina Sá. A proposta é inusitada: mesclar a história do seu pai, um arquiteto idealista, com a da filha Branca, de 3 anos de idade, que descobre Cuba (a terra do pai dela) pela primeira vez. O projeto articula imagens digitais e outras em Super 8, além de cartas lidas pela própria diretora e por membros da sua família. O cineasta Walter Salles e a atriz Patrícia Pillar foram produtores associados ao projeto. O resultado é um belo filme, sensorial e poético, sobre a família e a nação. Confira a seguir nosso bate-papo com a diretora, e leia nossa crítica do filme:

Como nasceu o projeto? Foi mesmo o Walter Salles que deu a ideia de juntar a história do seu pai com a sua filha?

Pois é, o Walter já tinha acompanhado um projeto que eu queria fazer sobre o meu pai, nove anos atrás. Ele conhecia o meu pai, e escreveu um texto super bonito para a captação de recursos, mas eu acabei não fazendo o filme. Depois, quando eu resolvi ir pra Cuba, eu falei para o Walter que queria fazer um filme sobre a minha filha, e ele me perguntou sobre aquele projeto do meu pai. Eu disse que tinha desistido, mas ele explicou que para ele os dois eram um mesmo filme, uma mesma busca. Na hora, eu achei a ideia absurda! Como eu iria juntar tudo? Mas ele afirmou que existia uma mesma noção de pertencimento. E o Marcos (de Vasconcellos) é o avô da Branca. Isso pode parecer loucura, mas como meu pai morreu há muito tempo, e eu mal o conheci, eu nunca tinha feito essa ligação. E aí foram alguns anos na ilha de edição, quebrando a cabeça com a minha editora, a Marília Moraes, para juntar tudo isso. O Walter foi muito sensível ao perceber esta ligação.

O documentário brasileiro vem se especializando na autobiografia, com vários diretores se colocando em frente às telas e explorando as próprias questões familiares, como 33, Diário de uma Busca, Marighella… De onde veio a sua vontade de contar uma história pessoal?

Eu acho que muitos cineastas têm questões a resolver na família, ou um passado desconhecido, e o filme pode ser uma maneira de descoberta, um modo de resolver. Eu não conheci direito o meu pai, por exemplo. Quando eu tinha 13 anos, ele morreu, e eu quase não o via. Na verdade, eu não queria fazer um filme biográfico, falando da minha filha, ou do meu pai. Eu quis fazer um documentário sobre questões relacionadas à família, algo que pudesse ser universal. O interessante deste filme, e de Diário de uma Busca, por exemplo, é que muitas pessoas podem se identificar, existe uma dimensão política. Os documentários biográficos, no fundo, são muito universais.

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