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Cinema · · 3 min de leitura ·

Olhar de Cinema 2015: “Eu não quero que ninguém pague R$30 para ver meu filme”, diz Guto Parente

Olhar de Cinema 2015: "Eu não quero que ninguém pague R$30 para ver meu filme", diz Guto Parente




"Porque não quero pagar R$30 para ver nenhum filme", contextualiza o jovem diretor de A Misteriosa Morte de Pérola. Conversamos abertamente com o realizador e a parceira Ticiana Augusto Lima sobre sobre cinema autoral – e ingresso caro, claro.

O frio de Curitiba não é capaz de arrepiar o jovem casal de realizadores brasileiros Guto Parente e Ticiana Augusto Lima, naturais de uma sempre ensolarada Fortaleza. Em 2012, eles embarcaram em uma pequena aventura para a França, para a pequena cidade de Chalon-sur-Saône, a fim de fazer um mestrado em cinema na escola de artes Ema Fructidor.

Ele não chegou a concluir o curso, o que não quer dizer que foi viagem perdida. Se percebendo estrangeiros em terra, de fato, estrangeira, os dois acabaram por adotar involuntariamente um isolamento criativo cujo primeiro resultado é o longa (de pouco mais de uma hora) A Misteriosa Morte de Pérola, o único brasileiro selecionado para a mostra competitiva do 4º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Exibida no último Festival de Tiradentes (MG), e também no Janela de Cinema (PE), onde a obra levou o prêmio João Sampaio para Filmes Finíssimos que Celebram a Vida.

Mas o mais correto seria dizer a Morte. Pérola (Ticiana) é uma jovem que decide estudar na França. Lá, passa a morar sozinha em um casarão um tanto quanto sombrio. Até que a morte anunciada do título acontece, misteriosamente. Na sequência, um homem (Guto) se desloca para o mesmo apartamento e parece realizar experimentos com o objetivo de reconstruir os passos da falecida. E os dois cineastas assumem praticamente todas as etapas de realização do filme.

Além de reproduzir, em um certo grau, a experiência de isolamento pela qual os dois passaram, o filme foi todo rodado no apartamento onde eles moraram na cidade europeia. "A minha primeira cinefilia é a Sessão da Tarde, de cinema de gênero americano", confessa Guto, hoje aos 31, que, na época da viagem vivia sob forte influência do terror italiano de Mario Bava e Dario Argento.

Influência, não cópia. "O cinema de gênero vem de uma matriz comercial, com seus códigos com os quais o espectador já tem uma relação preestabelecida. O que me interessa é pensar a utilização desse códigos, deslocá-los de um modo em que você consiga envolver o espectador por conta dessa familiaridade, e, ao mesmo tempo, levá-lo pra um lugar que não seja o que ele está esperando", explica Parente.

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