Supermax: Crítica sem spoilers dos 11 primeiros episódios

Um projeto inovador dentro das regras do horror tradicional — pro bem, pro mal, ainda longe do ideal.
José Alvarenga Jr. alardeia o caráter inovador de Supermax desde (pelo menos) o lançamento do reality de horror no RioContentMarket 2016, em março. De fato, o Brasil carece de obras do gênero — não só na televisão, como no cinema. E eis que a atração ganhou um formato de distribuição também vanguardista no país: via streaming. Assinantes do Globo Play já puderam conferir os 11 primeiros episódios, restando apenas o 12º e último capítulo para exibição exclusiva na televisão, em dezembro. E esse talvez seja o grande acerto da emissora para a série de terror.
Supermax é uma produção especialmente problemática em seu início. Os 12 participantes do reality show ficcional, instalado numa cadeia de segurança máxima isolada na Floresta Amazônica, são personagens "chapados". Se, por um lado, eles combinam com as figuras pouco interessantes de um Big Brother Brasil (o programa é grande inspiração e, de certa forma, paródia), por outro, eles não ajudam narrativamente. Eles brigam sem motivo, se (re)aproximam abruptamente e assim seguem, numa oscilação comportamental conveniente e que denota pouca sutileza na construção de suas personalidades.
Não à toa, esses personagens representam tipos bem definidos: um capitão da Polícia Militar, um jogador de futebol, uma enfermeira, um médico, uma ex-garota de programa, um ex-padre etc, e todos agindo, em grande parte do tempo, como meros estereótipos de suas categorias. Tal unidimensionalidade se reflete negativamente em outros aspectos, gerando conflitos frágeis, diálogos pobres e atuações caricatas. Não é raro um personagem meio esquecido se meter numa confusão e soltar uma frase de efeito, como que dizendo "Ainda tô aqui!". Da mesma forma, os crimes cometidos por eles (critério fundamental para entrada na Supermax) são frequentemente revelados sem porquê — num artifício primário de fornecimento de informações ao espectador.
É uma tendência inclusive na televisão estadunidense que as séries de TV aberta sejam menos sofisticadas — e, de certo modo, subestimem seu espectador. Por outro lado, a receita facilita a chegada de tabus a um público maior. Nesse sentido, é ótimo que cada personagem de Supermax represente um tema controverso. Ainda que pouco explorados, fala-se de eutanásia, corrupção política, abuso policial, violência doméstica, identidade de gênero, torturas na ditadura, pedofilia na igreja e outros. A questão sobre matar alguém levantada pelo padre Nando (Nicolas Trevijano) é particularmente bacana, e reflete um ponto de virada positivo a partir da metade da temporada.
Na década de 60, George A. Romero reinventou os filmes de zumbis com A Noite dos Mortos-Vivos. No clássico de 1968, em vez de efeitos especiais apelando ao gore para impressionar o público, o mestre do horror investiu no terror social, mostrando como uma família poderia se autodestruir em duas frentes: na transformação dos membros em zumbis,…
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