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Cinema · · 3 min de leitura ·

True Detective: Crítica da primeira temporada

True Detective: Crítica da primeira temporada




Série da HBO estrelada por Matthew McConaughey e Woody Harrelson chegou ao fim após oito episódios eletrizantes.

Volta e meia uma pessoa pergunta: como pode um site chamado AdoroCinema também falar de séries de TV? Pois bem, produções como True Detective dão a resposta. Você não precisa mais necessariamente ir ao cinema para assistir projetos complexos, sérios, reflexivos e com atuações de nomes consagrados. A divisão entre "atores de TV" e "atores de cinema" vai caindo cada vez mais rapidamente, ao ponto de em 2014 termos uma grande série estrelada por um ator que levou o Oscar no mesmo ano (Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas).

Criada por Nic Pizzolatto, True Detective conta a história de uma dupla de policiais que investiga o assassinato de uma jovem garota, que apresenta traços de ritual satânico. Quase 20 anos após o crime, os dois, agora brigados, são chamados para depoimentos no departamento de polícia e são obrigados a confrontar um caso que não havia sido completamente solucionado.

McConaughey vive Rust Cohle, um detetive descrente que nunca deixa de falar o que está pensando, por mais bizarro e inconveniente que seja. Ele tem como parceiro Martin Hart (Woody Harrelson), um detetive mais experiente, casado com Maggie (Michelle Monaghan) e com duas filhas. A série é um estudo de personagens extraordinário. Temos o ateu e o religioso, o sujeito focado no trabalho e o que se preocupa com a família, aquele que quer viver caso a caso e o que pensa na repercussão política e profissional. Ainda com estas diferenças, a produção não deixa o espectador duvidar em momento algum que tratam-se de grandes policiais.

É impossível não elogiar a produção sem destacar o canal responsável. A HBO mais uma vez dá um show, sendo responsável direta por promover a estética cinematográfica na TV, como faz também em produções como Boardwalk Empire e Game of Thrones. O trabalho de design de produção é incrível, em especial ao que diz respeito às caracterizações dos personagens e ao desenho dos cenários. Mas o que faz a série funcionar quase como cinema é a fotografia do australiano Adam Arkapaw, responsável por filmes como Lore e Reino Animal. Ele retrata o sul do estado da Louisiana utilizando-se de cores pouco quentes (com algumas exceções) e reforçando o sentimento de vazio proveniente do cenário rural e da região com diversos lagos e verdadeiros pântanos.

Curiosamente, a série foi rodada em 35mm, num momento em que o próprio cinema abandona o formato. Ainda que chegue via televisão, é notável a textura cinematográfica da obra, com uma estética um pouco nostálgica. O trabalho de Arkapaw mereceria um Oscar de Fotografia, principalmente pela forma como retrata os momentos com Hart e Rust em ação, e aqueles em que prestam depoimentos. O diretor de fotografia utilizou-se de câmeras diferentes e de níveis de contraste diversos. Com isso, temos um visual mais moderno nas tomadas dos depoimentos, sempre com a câmera parada. Já fora das entrevistas, temos a…

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