Uma Noite Não é Nada: Visitamos as filmagens do drama de Alain Fresnot em um hospital abandonado

Paulo Betti interpreta um professor de meia-idade que se entrega a uma paixão proibida.
Conhecido por alternar comédias e dramas, o cineasta Alain Fresnot apresenta em breve seu novo filme, Uma Noite Não é Nada. Desta vez, o humor não tem espaço na densa trama de Agostinho (Paulo Betti), um professor que se apaixona pela aluna nos anos 1980 e contrai o vírus HIV.
O AdoroCinema foi convidado a visitar as filmagens, no dia em que a equipe ocupou o espaço de um hospital abandonado no bairro da Lapa, em São Paulo. Uma imensa estrutura de câmeras, refletores e objetos de cena serviu a recriar o hospital de décadas atrás. É impressionante ver a locação vazia ganhar vida com dezenas de figurantes no papel dos feridos, leitos ensanguentados e letreiros informativos colados nas paredes.
Nas cenas filmadas neste dia, a personagem Januária (Cláudia Mello) encontra-se em choque após visitar o marido doente no hospital. Saindo do quarto onde ele se encontra, recebe o apoio emocional de um homem interpretado pelo uruguaio Daniel Hendler. Fresnot dirigia a equipe de modo descontraído, fazendo modificações nas cenas e tendo ideias novas no instante exato da filmagem. A equipe, muito profissional e bem coordenada, se adequava às criações do cineasta.
Questionado sobre o desafio de financiar um drama sobre uma vítima do HIV, Fresnot explica que a dificuldade de produção afeta os dramas nacionais de modo geral: "Hoje em dia, nada é fácil de vender, a não ser as comédias de costume com o casting da moda. Para todas as produções, leva-se anos para levantar os recursos". Mas essa não é a única dificuldade para produzir o projeto. A decisão de fazer o filme em preto e branco também impõe restrições: "A minha ideia inicial é ter o filme em preto e branco. Mas fiz um acordo com o nosso distribuidor, a Imovision, para lançar em preto e branco nos cinemas e depois ter uma versão colorida para a televisão e vendas internacionais, porque é mais fácil de colocar no mercado", justifica.
O diretor também revela que Paulo Betti não foi a primeira escolha para o papel do protagonista: "Inicialmente, eu estava comprometido com o Lima Duarte, com quem já fiz dois filmes. Mas demorei tanto para captar o dinheiro que ele teve um problema de saúde. Nada grave, mas ele não podia participar. Surgiu então o Paulo Betti, que tem uma idade muito mais adequada para a história. Já a presença do Daniel Hendler foi fortuita. A intenção era fazer uma coprodução entre Brasil e Argentina, mas não ganhei o edital. Eu já tinha conversado com o Hendler, e mesmo sem a coprodução, ele foi companheiro e aceitou participar do projeto".
Entre para comentar.