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Cinema · · 3 min de leitura ·

Westworld S01E06: Quem é o adversário?

Westworld S01E06: Quem é o adversário?




Sexto episódio da temporada se distancia da narrativa fictícia do parque a fim de começar a entregar respostas; leia a análise.

Para uma série que vem levantando novas teorias a cada minuto e trazendo de volta o especulativo fã de Lost que habita em muitos de nós, Westworld poderia facilmente cair na armadilha de apresentar mistérios demais e se esquecer de resolvê-los. Felizmente, respostas é justamente o que o sexto episódio – em tempo – adiciona à trama.

A abertura ao som de “Fake Plastic Trees”, do Radiohead, no piano enquanto Maeve repete o início de seu ciclo é apenas o primeiro indício de que Thandie Newton roubaria o episódio. Existe uma conexão muito forte e ao mesmo tempo singela entre a letra da música e a ilusão de vida que os anfitriões conduzem – ilusão esta que, ao longo do episódio, é destruída completamente para Maeve, durante a bela sequência em que ela caminha pelos corredores da Delos, junto a Felix (Leonard Nam), e observa impotente todos os outros iguais a ela, “de plástico”, sendo moldados: da morte de volta à vida. À serventia do sonho de terceiros.

O fato de o episódio ser basicamente centrado na sede do parque favorece o aprofundamento em alguns arcos narrativos, embora deixe de lado Dolores (Evan Rachel Wood) e William (Jimmi Simpson) para que isso seja possível. As investigações de Bernard (Jeffrey Wright) e Elsie (Shannon Woodward) a respeito do caso de espionagem industrial ajudam ainda no esclarecimento de um segundo mistério: a natureza do “garoto”, que agora confirmamos ser uma versão jovem de Ford (Anthony Hopkins). E, apesar de uma ou outra resolução fácil – quão óbvio era o fato de que alguma coisa aconteceria a Elsie, sozinha em um local escuro e repleto de esconderijos? – as explicações oferecidas corroboram algumas suspeitas, mas levantam outras indagações.

Que o garoto era uma versão jovem do criador do parque já era uma teoria muito forte, mas o fato de toda a sua família também existir como ‘Fantasma’ foi uma curiosa surpresa. Neste ponto, o episódio esclarece a menção do Homem de Preto (Ed Harris), no episódio anterior, sobre como os anfitriões eram "bonitos" antes de serem transformados em versões mais ''humanizadas'', mas também revela um forte apego de Ford ao próprio passado, por reviver – talvez – a infância através das versões robotizadas de sua família. E fica a questão: se há uma versão de Robert… será que outros anfitriões também não sejam versões de pessoas reais? Será que há também uma versão de Arnold?

Um dos pontos fortes de Westworld durante o piloto era observar a construção das narrativas na justaposição entre ficção e realidade, tecendo uma forte analogia entre as histórias fictícias e sua mera existência para satisfazer, ou gerar, desejos em quem as assiste (ou vive). Tudo isso perdeu espaço nos episódios seguintes para o aprofundamento da história de Dolores, William e Logan (Ben Barnes), o Homem de Preto e a busca pelo labirinto. Voltar agora aos "dramas de bastidores" tem uma função…

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