Criadores de software “cheater” do jogo “Destiny 2” vão pagar US$ 13,5 milhões à produtora

Veterancheats, LaviCheats e Elite Boss Tech, os domínios mantidos por criadores de um software cheater do jogo Destiny 2, concordaram em pagar o valor de US$ 13,5 milhões (R$ 69,58 milhões) à produtora Bungie, que os havia processado em agosto de 2021.
“Cheater”, dentro do presente contexto, é o nome atribuído a um programa que modifica a parte sistêmica de um jogo, oferecendo benefícios automatizados a quem fizer o seu download. Na prática, esses benefícios podem ter uma variedade de naturezas, desde miras automáticas para jogos de tiro, munição ou energia infinita; até a liberação de conteúdo privado ou liberado mediante compra.
O processo movido pela Bungie acusava as três páginas, mantidas pelas empresas Elite Boss Tech e 11020781 Canada Inc. – ambas tendo como dono um certo Robert James Duthie Nelson – e mais uma série de “réus” não nomeados de violação ou quebra de legislação referente a direitos autorais (nos EUA, contemplada pelo Digital Millennium Copyright Act, ou simplesmente “DMCA”), além de outras ofensas, como extorsão, fraude, lavagem de dinheiro e violações ao Computer Fraud and Abuse Act.
Desde agosto do ano passado, ambas as partes estavam decididas a levar o caso a julgamento, com a defesa das páginas em questão argumentando que, independente do desenvolvimento do software cheater levar a benefícios estratégicos dentro do jogo, nenhuma cópia de Destiny 2 foi ilegalmente comercializada nem tampouco houve abuso de qualquer legislação, pois “trapacear não é piratear”.
A Bungie, por outro lado, argumentou que os benefícios obtidos pelo software cheater eram injustos com o ambiente de gameplay de um jogo de natureza online como Destiny 2: pelo fato de muitos jogadores na mesma sessão não estarem envolvidos na trama, alguns usuários acabavam minando a experiência com vantagens irregularmente obtidas. Por sua vez, a Bungie “foi forçada” a desenvolver vários “mecanismos de defesa” que teriam custado à empresa “centenas de milhões de dólares”.
Entretanto, de forma inesperada, os réus aceitaram o acordo oferecido recentemente pela acusação, que envolve o valor mencionado acima, bem como o reconhecimento de que seu software “lia e adulterava” o código-fonte proprietário de Destiny 2, o que configura uma violação de propriedade privada.
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