Jogamos Quantum Break: narrativa instigante complementada por ação frenética

Existem duas teorias principais sobre viagens no tempo, mais especificamente em viagens ao passado. A primeira dela determina que o tempo é imutável e que o fato de você retornar a um tempo que já passou já era um fator no momento em que os eventos aconteceram originalmente. A outra diz que ao voltar no tempo é possível mudar o rumo dos acontecimentos, efetivamente criando outra linha temporal.
Ou há também a resposta de Doctor Who sobre o tempo, que não se trata de uma rígida progressão de causa e tempo, mas, na verdade, de um ponto de vista não-linear e não-relativo, é uma grande bola de um barato muito doido de espaço-tempo coisado.
Em Quantum Break, a Remedy, empresa que criou outros jogos já clássicos como Alan Wake e Max Payne, tenta responder qual é a teoria correta. Infelizmente os roteiristas não foram capazes de chegar a uma resposta conclusiva (vamos entrar nesse assunto mais para frente), mas não chega a prejudicar muito o game, que se sustenta por vários outros motivos.
Não há tempoUm jogo de ação e tiro em terceira pessoa exclusivo da Microsoft. A descrição simplista se encaixaria com um dos clássicos do Xbox, Gears of War. A série ditou muito da evolução dos games em terceira pessoa ao longo da última década. A comparação com Quantum Break, no entanto, não tem como ser mais descabida.
O game traz, sim, mecânica de cobertura, que é, inclusive, bastante parecida com a do reboot de Tomb Raider, na qual o personagem automaticamente se esconde atrás de muros e carros para se proteger em combate, sem precisar de um botão para isso. Contudo, esconder-se neste jogo é pedir pela morte.
É possível perceber claramente o esforço dos designers em incentivar o uso dos poderes de manipulação temporal do protagonista Jack Joyce. Nunca há cobertura perfeita; se você se esconde, logo será flanqueado por inimigos. Se os inimigos estão longe, eles começarão a jogar granadas na sua cabeça. Você tem, no máximo, alguns segundos para se proteger, respirar e recuperar-se antes de voltar a encarar seus adversários de peito aberto. Neste sentido, a comparação com outro jogo do Xbox, Sunset Overdrive, é a mais justa, já que a movimentação constante é essencial para a sobrevivência.
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