Jogo educacional “The Oregon Trail” remove estereótipos de nativos americanos

O jogo educacional “The Oregon Trail” recebeu uma atualização para o Apple Arcade que altera diversos aspectos a fim de acabar com estereótipos sobre povos nativos americanos. De acordo com a Gameloft, publisher do jogo, a ideia é acabar com percepções de que a população indígena dos EUA era, de alguma forma, primitiva.
Para isso, a empresa sediada na França buscou a consultoria de três especialistas nos estudos de antigos povos para refletir um realismo maior de “The Oregon Trail” sobre os nativos americanos. Para o diretor criativo Jarrad Trudgen, isso ajudou a empresa a “arrancar imprecisões históricas e outros clichês” da cultura indígena.
“The Oregon Trail” foi originalmente desenvolvido em 1971 por Don Rawitsch, Bill Heinemann e Paul Dillenberger. Destinado para PCs da época, o título era direcionado a crianças do ensino fundamental norte-americano, para educá-las sobre a famosa trilha perseguida por exploradores durante o expansionismo para o Oeste do país.
Nesta nova versão, o jogo conta com inúmeras revisões históricas. Um dos pontos a serem alterados, por exemplo, foi o discurso. Segundo os especialistas consultados pela Gameloft, os povos indígenas, sempre caracterizados na cultura pop como falantes de um inglês “macarrônico”, na verdade eram fluentes em diversos dialetos e, muito provavelmente, o inglês, embora não seu idioma primário ou mesmo de preferência, lhes vinha com facilidade.
“É um clichês que faz parecer com que as pessoas nativas americanas sejam, de alguma forma, primitivas”, disse Trudgen. “Na verdade, existiam muitas pessoas bilíngues ou poli-língues naquela época”.
Outro aspecto alterado foi o uso de arco e flecha pelos povos nativos: “tem muitos jogos populares por aí, como ‘Tomb Raider’ e ‘The Last of Us’, onde o arco e flecha são bem animados. Evidentemente, não era essa a nossa intenção. Nós apenas víamos o seu uso de forma ingênua, de uma perspectiva de ‘arco e flecha é bacana’”.
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