Nostalgia como produto: por que remasters vendem mais que jogos novos

Em abril de 2025, a Bethesda lançou, sem anúncio nem uma grande campanha de marketing, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered. E, o mais surpreendente, foi o resultado: segundo dados da Circana, o remaster vendeu mais unidades em abril de 2025 do que o Oblivion original nos seus primeiros 15 meses de mercado, após sua estreia em março de 2006. Esse foi apenas um dos exemplos de sucesso dentre muitos outros. Entretanto, por trás desses números há duas forças que se complementam: a nostalgia, capaz de mudar até a forma como se enxerga o valor do dinheiro, e a economia da indústria dos games.
Primeiramente, seria proveitoso apresentar a diferença de remaster e remake, o que é algo confuso muitas vezes. Um remaster é basicamente uma versão atualizada de uma mídia, nesse caso um jogo. Dessa forma, além de tornar o game compatível com um hardware atual, o remaster também traz melhorias nos gráficos, resolução, interface, áudio e outros aspectos do jogo, mas sem grandes alterações no produto original.
Já o remake é um produto praticamente novo, que recria a mídia completamente do zero. Claro que muitos dos elementos originais se mantêm, mas há diversas alterações. Desde seus gráficos à sua jogabilidade são alterados, enquanto até mesmo sua história e narrativa podem sofrer alterações, mas que geralmente procura manter a essência do material original. Seu objetivo, em geral, é apresentar o produto para uma nova audiência.
Não é à toa que a nostalgia é algo presente não apenas nos jogos, mas também em outras mídias. Filmes, séries, coletâneas de quadrinhos e músicas são bem comuns, e é algo que acontece há anos. Apesar disso, essas escolhas não são feitas ao acaso, e existem até estudos sobre o assunto.
No estudo Nostalgia Weakens the Desire for Money, publicado no Journal of Consumer Research, os pesquisadores explicam como a nostalgia é uma ferramenta poderosa. Ao estimular a nostalgia, os participantes estimulados demonstraram uma maior disposição a pagar quantias mais altas por produtos. Não apenas isso, mas o dinheiro também passou a ser visto com menos valor subjetivo, e os participantes chegaram até a, em experimentos visuais, desenhar moedas com tamanhos menores.
Além dos experimentos e resultados, o estudo também aponta uma razão para isso acontecer. Ela se dá pela capacidade da nostalgia em promover a conexão social, e o sentimento de pertencimento, o que supre a necessidade por apoio humano que apego ao dinheiro, muitas vezes, tenta substituir.
Entre para comentar.