O que a parceria de Sony e Microsoft significa para o futuro dos games

Sony e Microsoft, arquirrivais no mercado de games, anunciaram nesta quinta-feira, 16, uma parceria inusitada. O acordo prevê a colaboração entre as duas empresas no setor de cloud-gaming, a tecnologia de execução de jogos em servidores remotos e transmissão para sua tela pela internet, o que permite que os jogos sejam reproduzidos em qualquer aparelho com um display e conexão, sem depender de um console físico. Isso significa poder jogar games pesados em qualquer Smart TV ou celular.
O anúncio surpreende por colocar duas empresas rivais do mesmo lado, mas o que ele realmente significa? Elas deixarão de ser concorrentes no futuro quando os games em nuvem começarem a decolar? Ao que tudo indica, não. Podemos esperar que as empresas continuem competindo ferozmente no mercado de jogos com suas marcas Xbox e PlayStation, mas colaborem na tecnologia que funciona por trás desses sistemas.
Como parte do acordo, a Sony usará a plataforma de nuvem da Microsoft, a Azure, como base para o seu próprio serviço de streaming de jogos, o PlayStation Now. A decisão é compreensível: a Sony é uma empresa de hardware e entretenimento, não de infraestrutura e muito menos de computação em nuvem. Para conseguir competir com o aguardado xCloud, da Microsoft, a empresa precisa obrigatoriamente de uma parceria com alguma companhia que possui este know-how. Além do Azure, a Sony poderia ir atrás da AWS, da Amazon, que é outra gigante do setor.
Quem acompanha os transtornos que a Sony teve com a PSN ao longo dos anos não precisa de muito esforço para entender que a empresa precisa de ajuda para lidar com um potencial futuro dos jogos em nuvem. Com o Google entrando na jogada com o Stadia, a empresa do PlayStation poderia ficar bastante atrás dos concorrentes, já que tanto o Google Cloud quanto o Azure possuem datacenters no mundo inteiro como parte de suas atividades, enquanto a Sony precisaria realizar um investimento pesadíssimo de expansão para competir se fosse fazer isso com suas próprias forças.
Um investimento deste porte, provavelmente não valeria a pena para sustentar apenas a divisão de serviços em nuvem da Sony, então vale mais a pena apostar em uma plataforma de outra empresa. Neste caso, a Azure se mostra mais vantajosa do que a AWS e o Google Cloud por atender mais regiões, o que é um ponto-chave quando o assunto é streaming de jogos. A latência pode arruinar a experiência de jogo, especialmente em títulos com ação mais frenética, então quanto mais próxima sua casa é de um datacenter, melhor tende a ser a sua experiência.
Diante da parceria inusitada, não seria muito difícil imaginar que as duas empresas poderiam vir a estreitar os laços mais profundamente, em reação à ameaça do Google, para oferecer um serviço de jogos por streaming unificado, que poderia contar com jogos de ambas as plataformas, como Uncharted e Gears of War. Isso parece pouco provável, no entanto.
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