Review: ‘Backbone’ é mistério indie neo noir perspicaz sobre depressão e niilismo

Descrito pelos desenvolvedores como “uma aventura de detetive RPG neo noir”, ‘Backbone‘ é uma “joia rara” indie intrigante e perspicaz, e logo de cara entrega uma ótima primeira impressão. O game baseado em narrativas se passa em um mundo habitado por animais antropomórficos, todos vivendo suas vidas em uma Vancouver distópica. No controle do guaxinim Howard Lotor, um detetive particular depressivo que mal consegue sobreviver, você assume o que parece ser um trabalho simples, mas que logo o leva a um enredo muito maior e mais sinistro.
O título começa te ofertando logo de cara um caso padrão, porém delicado de “marido traidor” em mãos. Porém, ao conversas com NPCs, investigar pistas, arrombar portas e, bem, agir como um investigador particular, a trama se transforma em algo muito mais sombrio e coloca Howard em conflito direto com o sistema opressor da cidade. Niilista e levando o público a pensar muitas vezes que irá tirar a própria vida em algum momento, ele felizmente tem certa ajuda na forma de uma jornalista raposa chamada Renee e um confiável motorista/melhor amigo, o castor Anatoly.
Para a EggNut, pequeno estúdio composto por funcionários remotos do Canadá, Estados Unidos, Rússia e Holanda, ‘Backbone’ representa uma conquista e tanta. O jogo é simples e todo feito ao melhor estilo de arte pixel, mas é surpreendente em conceito, design e execução. A desenvolvedora já havia introduzido o mundo neo noir pela primeira vez quando lançou o “Prólogo” do título na Steam, em 2019, que dava aos jogadores a chance de experimentar o primeiro ato do games e foi recebido com críticas extremamente positivas – potencial que a versão completa oferece.
A mecânica de ‘Backbone’ é básica, mas apresenta furtividade, exploração e elementos dos clássicos jogos de aventura de apontar e clicar. Embora apresente muitos quebra-cabeças e momentos tensos que expõem demais a fraqueza humano, o principal elemento do romance visual é o diálogo expansivo. Cada interação enquanto explora os vários bairros da cidade envolve diversas opções de respostas que afetam as decisões de quem quer que Howard esteja lidando.
Interagindo com pontos de interesse e conversando com os residentes, fica claro rapidamente que os jogadores devem imergir com todos e com tudo o que puderem para seguir a trilha do terrível mistério e navegar na investigação. Embora não seja declarado diretamente, é bom saber que lidar com todas as opções que o jogo proporciona é algo capaz de fazer o jogador alcançar o melhor resultado possível – fator que deixa o título repetitivo.
Claro, sequências furtivas adicionam um pouco de tensão à jogabilidade, mas são tão raras dentro da gameplay e o conceito é tão pouco explorado que você vai se perguntar por que estão incluídas. Logo, a grande maioria do seu tempo em ‘Backbone’ será em conversas com vários personagens na tentativa de descobrir pistas… infelizmente, tudo para levar ao mesmo e linear final – confuso e complexo como a obra em si.
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