WhatsApp vira peça central na disputa digital entre Lula e Flávio

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Em Brasília, o PT reuniu jovens políticos e criadores de conteúdo para coordenar ações digitais. Aliados de Flávio, por sua vez, organizaram iniciativas para contestar publicações do presidente e impulsionar conteúdos favoráveis ao senador.

PT muda estratégia para disputar espaço nas redes
A campanha de Lula montou uma sala em sua sede, em Brasília, para receber uma força-tarefa digital formada por influenciadores e jovens políticos eleitos. O grupo se reuniu com o presidente na quarta-feira (7) e deve permanecer na capital federal pelo menos até sexta-feira (9).
A mudança veio após o resultado do primeiro turno. Para Jilmar Tatto, secretário nacional de Comunicação do PT, o momento exigiu uma nova abordagem. “Virou a chave da campanha, passamos do analógico para o digital”, afirmou.
Segundo Tatto, se Lula tivesse terminado a primeira etapa da disputa na liderança, a campanha provavelmente teria mantido a estratégia anterior. A deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) também defendeu maior presença da esquerda nas plataformas digitais, que, em sua avaliação, deram força à direita desde as eleições de 2018.
A articulação envolve parlamentares com atuação expressiva na internet. Érika Hilton (PSOL-SP) tem convidado seguidores no Instagram a participar de comunidades ligadas à campanha. Já André Janones (Rede-MG) administra o canal “Exército do Lula”, criado em abril para orientar apoiadores e estabelecer metas de compartilhamento.
O deputado eleito Jones Manoel (PSOL-PE) afirmou que o grupo também discutiu como ampliar o apoio entre pessoas de baixa renda, mulheres e jovens. Entre as propostas que pretende destacar estão tarifa zero no transporte público, redução do custo de vida e geração de empregos.
Aliados de Flávio organizam reação
O PL também investiu em comunidades digitais com a criação da “Tropa do Flávio”. O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) divulgou o canal em vídeo e convocou apoiadores a participar.
“É aqui que nós vamos contrapor esse pessoal”, afirmou Gayer. Na mesma convocação, pediu que os seguidores ajudassem a ampliar a comunidade e mantivessem o engajamento.
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Flávio Bolsonaro também entrou na disputa. Em uma transmissão ao vivo na quinta-feira (8), criticou a mobilização petista e acusou o PT de disseminar informações falsas. “Vocês estão vendo aí a grande facção digital que o PT criou para inventar um monte de fake news, espalhar essas fake news por aí. É uma atrás da outra”, declarou.
A reação também apareceu em outras publicações. Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, divulgou um vídeo contestando declarações de Lula. Pablo Marçal, apoiador de Flávio desde setembro, usou suas redes para promover a comunidade.

Os canais funcionam como pontos de articulação entre apoiadores, mas não são formalmente vinculados às campanhas, segundo integrantes das equipes dos dois candidatos. A atuação desses grupos envolve diferentes iniciativas:
- Organização de tarefas: definição de metas e orientações para estimular o compartilhamento de publicações.
- Engajamento de seguidores: convites para que usuários participem de comunidades e ajudem a distribuir conteúdos.
- Reação a declarações: produção de vídeos e publicações para contestar mensagens dos adversários.
A equipe de Flávio também monitora conteúdos que considera falsos. Entre os casos citados estão a alegação de que ele retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e um vídeo com áudio manipulado por inteligência artificial que lhe atribui a intenção de cortar o 13º salário e as aposentadorias.
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