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Julia Monteiro
Julia Monteiro
Robotica · · 2 min de leitura ·

Mídias sociais, política e bots eleitores

Mídias sociais, política e bots eleitores

O que você precisa saber

“A propaganda é para uma democracia o que o espancamento é para um estado totalitário”.Noam Chomsky  (Filósofo e historiador norte-americano, 1928-)

Estamos cada vez mais conectados, um processo irreversível. O espaço virtual é este “lugar” onde, por meio de interações mediadas por artefatos tecnológicos, discutimos arte, cultura, os altos e baixos de nosso cotidiano e claro, política. Mas a internet idealizada por Tim Berners-Lee, Vinton Cerf,  Robert Kahn e Ted Nelson, aberta, descentralizada, horizontal, ágora pública virtual democrática está cada vez mais distante.

[2.] As mídias sociais, que na superfície se apresentam como lugares para livre expressão de emoções e pontos de vista, sem preconceito, censura ou qualquer outro tipo de limitação, são na prática coletivos de algoritmos que monitoram e capturam cada palavra, cada bit de informação que publicamos, num assalto a nossa privacidade sem precedentes na história da humanidade. Com isso em mãos, os proprietários das mídias sociais podem, a qualquer tempo, bloquear usuários que, de acordo com seus termos de serviço, estão agindo de forma indevida. Nessa direção, está cada vez mais comum observarmos o bloqueio, suspensão ou redução de visibilidade de posts. A sensação é que temos liberdade para escrevermos, mas estamos subordinados a critérios opacos e regras algorítmicas que desconhecemos e nossa “aparente liberdade” pode desaparecer a qualquer momento. O mecanismo de bloqueio pode inclusive, ser utilizado por qualquer um de nós contra desafetos nas mídias sociais, mas quando um político ou partido bloqueia um cidadão não estaria assim retirando-lhe um direito fundamental de liberdade de expressão?

Não se pode tirar o mérito das mídias sociais na construção de uma sociedade conectada, no fluir da informação digital produzida por bilhões de pessoas ao redor do planeta, na abertura de espaço para diversidade e minorias. Historicamente, Facebook e Twitter por exemplo foram apropriados por cidadãos para protestar contra regimes opressores e difundir ideais democráticos. Mas há uma fragilidade estrutural nas mídias sociais que precisa ser resolvida para que estas possam suportar as diferentes demandas de um espaço público virtual democrático. Podemos inclusive imaginar que bots venham a brigar pelo direito de voto nas urnas digitais do futuro. Afinal, o espaço é virtual pra nós, mas natural pra eles, bots eleitores.

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CASTELLS, M. (2013). Redes de Indignação e Esperança. Zahar Editora, Rio de Janeiro.

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