Bloqueio de internet por governos cresce de forma “alarmante”, diz estudo

Ao longo da última década, desligamentos intencionais da internet realizados por governos de múltiplos países decolaram estatisticamente. As principais motivações para essa forma de repressão são conter movimentos e protestos ao limitar o acesso à rede e dificultar a comunicação e organização de grupos políticos e civis. Um novo levantamento indica que cerca de 850 paralisações da internet foram registradas nos últimos 10 anos.
Trata-se de um número “alarmante”, segundo o Shutdown Tracker Optimization Project, ou simplesmente “STOP”, da organização sem fins lucrativos Access Now. O grupo reconhece ainda que os dados anteriores a 2016 são “irregulares”, portanto, a grande maioria dos desligamentos de internet registrados no mundo se concentraram nos último cinco anos, mais precisamente 768.
2019 foi o ano campeão, com 213 paralisações de rede, seguido por 2020, com 155 desligamentos intencionais, número que se tornam ainda mais alarmante diante do enorme crescimento do uso da internet em todo o mundo durante a pandemia de COVID-19. Nos primeiros cinco meses de 2021, a organização contabilizou 50 paralisações em 21 países diferentes.

“Desde que começamos a monitorar as paralisações da Internet iniciadas por governos, o método se proliferou em um ritmo verdadeiramente alarmante”, disse Felicia Anthonio, ativista e líder do movimento #KeepItOn do Access Now, em um novo relatório sobre o assunto chamado “The Current”, publicado na plataforma do Google Jigsaw.
“Conforme os governos em todo o mundo aprendem essa tática autoritária uns com os outros, ela evoluiu de um método obscuro para se tornar uma estratégia comum que muitas autoridades usam para sufocar a oposição, suprimir a liberdade de expressão e silenciar opiniões.”
De acordo com o levantamento, o primeiro desligamento significativo da internet ocorreu no Egito em 2011, em resposta aos protestos contra o então presidente Hosni Mubarak. Como resultado, cerca de 93% das redes egípcias foram bloqueadas durante cinco dias. Paralisações e desligamentos anteriores da internet ocorreram também em Guiné, em 2007, e no Irã, em 2009, mas o Egito foi o primeiro a afetar as conexões ao nível nacional, onde mais de um quarto dos cidadãos eram conectados
Fonte: Tecnoblog
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