Correios dizem que brasileiros vão arcar com custos da privatização

Os Correios levantaram mais uma crítica ao projeto de privatização: o general Juarez Aparecido Cunha, presidente da estatal, diz que apenas a parte lucrativa da empresa irá para a iniciativa privada, e os brasileiros terão que arcar com os custos do que restar. Alguns deputados querem dificultar a venda, mas os estudos de viabilidade já receberam “sinal verde” de Bolsonaro.
Em audiência na Câmara dos Deputados, o general Cunha explicou que o resultado financeiro dos Correios é concentrado em poucas cidades. Em 2018, 92% dos lucros vieram das atividades em 324 municípios, correspondendo a um total de R$ 6,71 bilhões. Enquanto isso, os outros 5.246 municípios respondem por um prejuízo de R$ 6,54 bilhões.
O lucro dos Correios vem principalmente do serviço de entrega de encomendas, enquanto a entrega de correspondências é deficitária — ou seja, gera mais gastos que faturamento. “O Estado brasileiro ou o cidadão brasileiro que paga impostos vão pagar a conta dos demais municípios”, disse Cunha, de acordo com o TeleSíntese.
Fábio Abrahão, assessor da Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia, sugere que é possível chegar a um meio-termo. “A gente acredita que é possível manter o serviço postal, manter a universalização, e o mais importante, resolver esses déficits gigantescos que foram abertos”, ele disse em audiência na Câmara.
O assessor também apontou outro problema nos Correios: o rombo no Postalis, fundo de pensão dos servidores, e no plano de saúde. “A quantidade de escândalos que envolve o Postalis é enorme. A gente está falando de R$ 11,5 bilhões. O desconto em folha de funcionários é de 27%, de quem já está aposentado, R$ 4 bilhões do plano de saúde deles. Quem que vai resolver isso?”

Os Correios tiveram lucro de R$ 161 milhões em 2018 e R$ 667,3 milhões em 2017, mas sofreram perdas de R$ 5 bilhões nos dois anos anteriores. Para evitar novos prejuízos, a empresa está enxugando custos.
Fonte: Tecnoblog
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