Cufa suspende plano de cadastrar biometria facial de 2 milhões de pessoas

A Cufa (Central Única das Favelas) voltou atrás depois de anunciar que estava usando reconhecimento facial em um projeto que previa o cadastro de 2 milhões de beneficiários de cestas básicas. A ONG havia iniciado o cadastro na semana passada. Porém, com o questionamento sobre a coleta dos dados biométricos, a medida foi suspensa.
Em comunicado, a Cufa destacou o trabalho realizado há mais de um ano no combate aos impactos da pandemia. Uma das iniciativas é o Mães da Favela, que oferece alimentos para milhares de mulheres em várias cidades brasileiras. A ONG afirmou que já presta contas com registros em papel, mas adotou o reconhecimento facial para simplificar o processo.
“A escolha do uso de tecnologia de ponta, que está em teste, é justamente para agilizar os nossos processos e reforçar a transparência que é uma exigência dos doadores para absolutamente todas as organizações”, afirmou a Cufa. A ONG disse estar ciente das exigências da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e garantiu que os dados coletados não serão usados para outra finalidade.
Ainda assim, a associação afirmou que vai interromper a prática. “A Cufa acaba de tomar uma decisão. Só fará parceria com os doadores que aceitarem as prestações de conta em forma de fotos e vídeos. Nenhum dado será solicitado a nenhum beneficiado e a transparência será garantida pela nossa palavra”.
O presidente da Cufa, Preto Zezé, informou que os dados coletados no teste foram todos apagados. “Tudo cancelado. Inclusive, gerou um bom debate sobre segurança de dados, já que muitas organizações estão colhendo dados”, publicou, em seu perfil no Twitter.
A coleta de dados biométricos foi realizada em parceria com a Unico (antes conhecida como Acesso Digital). A empresa divulgou um comunicado para explicar o acordo com a Cufa. No texto, a companhia apontou que segue a LGPD e não compartilha nenhum dado pessoal com outras empresas.
Fonte: Tecnoblog
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