Droga Raia é questionada por exigir biometria para conceder descontos

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) entrou em vigor em 2020. Empresas que sempre usaram o cadastro de dados para controlar o fluxo de clientes devem adequar ao máximo o uso e tratamento de dados pessoais. Mas a rede de farmácias Droga Raia, do grupo Raia Drogasil, vem acumulando nos últimos meses reclamações de clientes que tiveram de fornecer o número de celular e até a impressão digital para obter descontos. O Tecnoblog apurou os casos.
Gabriel (pseudônimo) estava visitando sua sogra em Londrina (PR) quando parou numa unidade da Droga Raia. Era de noite e ele precisava comprar um leite infantil para sua filha pequena – saiu de casa com esse propósito. E deu sorte: o produto estava em uma promoção considerável, de 33%. Ao passar no caixa para efetuar a transação, a atendente faz uma pergunta irresistível: “vai querer o desconto?”.
Ao ouvir o “sim”, a funcionária da Droga Raia impôs uma condição: “só se você estiver no plano de fidelidade”. Gabriel ficou confuso, como contou ao Tecnoblog: “eles já tinham meu CPF”. Mas a atendente afirmou que, para confirmar o cadastro, precisava da biometria digital. Ele diz que não colocou o dedo em leitor algum, mas forneceu o número de celular para aproveitar a oferta do leite infantil.
Em outro caso, o residente de Bauru (SP) e engenheiro Lucas Maldonado resolveu parar na Droga Raia que fica entre sua casa, localizada no bairro do Jardim Solange, e o trabalho, que fica na Bela Vista. Sempre comprou nessa loja seu remédio de uso contínuo, mas nesse dia ele estava com desconto.
“Sempre forneci o CPF, até porque o remédio é um pouco caro. Nunca tive tanto incômodo em fazer isso”, disse Lucas à reportagem. Mas, novamente, um funcionário afirmou que para usar a oferta ele teria que fornecer sua digital: “é rapidinho, é só colocar o dedo – é por causa da LGPD”.
Lucas estranhou e pediu mais explicações – que o atendente não soube fornecer. Foi chamado o supervisor da farmácia; ele afirmou que sem a digital, não conseguiria concluir a compra. No fim, Lucas insistiu e levou o remédio com a oferta. Mas ao retornar à mesma loja e repetir a compra, da segunda vez não teve sucesso. Ao acionar o SAC, o engenheiro ouviu que a biometria seria usada para participar do clube de descontos da Droga Raia.
Fonte: Tecnoblog
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