Engenheiro que alegou que IA era senciente não trabalha mais no Google

Blake Lemoine se tornou uma figura emblemática nas últimas semanas. Em junho, o engenheiro afirmou que o LaMDA, uma inteligência artificial do Google, se tornou senciente ao expressar emoções, opiniões e sentimentos próprios. Mas, quase dois meses após o episódio, o engenheiro deixou de trabalhar para a companhia.
Lemoine não chegou a citar o caso no seu perfil do Twitter. Na verdade, há apenas um tweet feito no sábado (23) com um link para a publicação “Posso ser demitido em breve por fazer trabalho de ética em IA” no seu Medium. “Apenas para o caso de as pessoas se esquecerem que eu chamei a atenção para isso no início de junho”, disse.
Mas o Google soltou um comunicado ao Engadget e ao The Verge que dá a entender que, de fato, o engenheiro não trabalha mais na companhia, mas não diz com exatidão que Lemoine foi demitido. No final da nota enviada pelo porta-voz Brian Gabriel, a companhia soltou um “desejamos boa sorte a Blake”. E, convenhamos, ninguém diria isso para uma pessoa que continua a trabalhar na sua empresa, certo?
“À medida que compartilhamos nossos Princípios de IA, levamos o desenvolvimento de IA muito a sério e continuamos comprometidos com a inovação responsável. O LaMDA passou por 11 revisões distintas e publicamos um artigo de pesquisa no início deste ano detalhando o trabalho que envolve seu desenvolvimento responsável. Se um funcionário compartilhar preocupações sobre nosso trabalho, como Blake fez, nós as revisamos extensivamente. Descobrimos que as alegações de Blake de que o LaMDA é senciente são totalmente infundadas e trabalhamos para esclarecer isso com ele por muitos meses. Essas discussões fizeram parte da cultura aberta que nos ajuda a inovar com responsabilidade. Portanto, é lamentável que, apesar do longo envolvimento com esse tópico, Blake ainda tenha optado por violar persistentemente políticas claras de emprego e segurança de dados que incluem a necessidade de proteger as informações do produto. Continuaremos nosso cuidadoso desenvolvimento de modelos de linguagem e desejamos boa sorte a Blake.”

Tudo começou em junho, quando o engenheiro teve uma conversa com o LaMDA. Caso não esteja a par, o sistema foi apresentado pelo Google em 2021 para fortalecer os chatbots e assistentes virtuais. Assim, os usuários poderiam interagir com os sistemas sem perder a naturalidade de falar com uma pessoa real.
E, de fato, as demonstrações iniciais foram bem promissoras. Todavia, é preciso calibrar estes recursos para evitar reações grosseiras ou até mesmo propagações de discursos de ódio na plataforma. E é aí que entra o trabalho do engenheiro Blake Lemoine, que ficou responsável por fazer essas análises no sistema.
Fonte: Tecnoblog
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