Escassez de areia afeta silício dos chips e faz surgir mercado pirata

Por meio de um relatório divulgado em abril, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu providências contra uma “crise de areia” global. Parece exagero, não? Mas a demanda por areia tem crescido em níveis alarmantes. Esse cenário gera escassez de matéria-prima na construção civil, na fabricação de vidro e na produção de chips, por exemplo. Não por acaso, grupos que “pirateiam” areia são cada vez mais comuns.
Talvez você esteja se perguntando se chips são feitos de areia. Não, exatamente. De maneira resumida, os chips que equipam nossos computadores ou celulares são feito de silício, um material semicondutor. O que a indústria faz, basicamente, é extrair silício da areia por meio de diversos processos.
Tudo bem até aqui, afinal, areia é um material abundante, certo? De novo: não, exatamente. Existe muita areia no mundo, mas não é qualquer tipo que é usado pela indústria de semicondutores. Os fabricantes recorrem a tipos que resultam na extração do silício mais puro possível.
Essa restrição não existe só na indústria de semicondutores. Também não é qualquer tipo de areia que pode ser usado na construção civil, por exemplo. Nesse setor, os tipos ideais muitas vezes são extraídos das margens de rios ou lagos. A areia dos desertos não serve. Você já sabe quais são as consequências possíveis: danos ambientais.
De acordo com a ONU, a extração de areia, junto com a de cascalho, já atinge 50 bilhões de toneladas por ano. E olha que esse número considera somente as indústrias de vidro, concreto e materiais de construção.
O maior problema está no fato de a extração ser realizada de modo cada vez mais predatório. Impactos ambientais já são sentidos em alguns lugares. A ONU aponta, como exemplo, que a remoção exagerada de areia reverteu o curso das águas de um rio do Sri Lanka.
Fonte: Tecnoblog
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