GPT-4 da OpenAI consegue ser melhor que humanos em debates

Um novo experimento envolvendo 900 participantes nos Estados Unidos revelou que o GPT-4, modelo de linguagem da OpenAI, pode ser mais convincente do que interlocutores humanos durante um debate. A vantagem da inteligência artificial, no entanto, só se confirma quando ela tem acesso a dados como idade, profissão, escolaridade e posicionamento político da pessoa com quem está interagindo.
O estudo, conduzido por pesquisadores da EPFL (Suíça), Princeton University (EUA) e Fondazione Bruno Kessler (Itália), mostra que, com essas informações, o modelo aumentou significativamente sua capacidade de influenciar opiniões — superando os humanos em mais de 64% dos casos. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Human Behaviour.
A pesquisa comparou duplas de debatedores, formadas por um humano e por uma IA ou por dois humanos, em temas polêmicos como uso de combustíveis fósseis e obrigatoriedade de uniformes escolares. O diferencial do experimento foi a inclusão de dados demográficos de cada participante — como gênero, etnia, grau de escolaridade e posição ideológica —, disponibilizados aos debatedores humanos ou artificiais.
Quando o GPT-4 recebeu essas informações sobre seu oponente, conseguiu adaptar seus argumentos e se mostrar 81% mais eficaz em persuadir a pessoa com quem debatia, em relação a duplas compostas apenas por humanos. Curiosamente, os humanos não conseguiram melhorar sua performance nem mesmo quando tinham acesso aos mesmos dados.
Os pesquisadores apontam que o resultado reflete uma tendência já presente nas redes sociais: a microsegmentação de conteúdo, conhecida como microtargeting, que personaliza mensagens com base em dados do público. A diferença é que agora a IA consegue fazer isso com grande eficiência em tempo real, o que acende um alerta sobre seu potencial em manipular discussões online.

Além de observar os índices de persuasão, os autores do estudo também analisaram o estilo de argumentação. A IA usou majoritariamente linguagem lógica e analítica, enquanto os humanos tendiam a recorrer a expressões emocionais e uso de pronomes pessoais. Ainda assim, a personalização dos argumentos não mudou o tom da IA — apenas tornou seus pontos mais direcionados ao perfil de cada interlocutor.
Fonte: Tecnoblog
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