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Tecnologia · · 2 min de leitura ·

Japão vende livros por tonelada; compra pode abastecer IAs nos EUA

Japão vende livros por tonelada; compra pode abastecer IAs nos EUA

Sebos japoneses estão recebendo pedidos que fogem bastante do padrão. Desde o mês passado, algumas lojas passaram a vender centenas de livros por dia, enquanto outras registraram períodos em que as vendas chegaram a ser cinco vezes maiores que o normal. A suspeita é de que parte dessas encomendas seja destinada à digitalização para treinamento de sistemas de IA, seguida pela destruição dos exemplares.

São cerca de 50 toneladas de livros japoneses enviadas aos Estados Unidos desde o ano passado, segundo a emissora japonesa NTV. O volume não é a única coisa incomum: os compradores fogem dos títulos mais populares e encomendam obras de filosofia, história, medicina, direito, política e cultura japonesa. Há também pedidos por livros sobre o período Edo e por publicações políticas de décadas atrás.

A NTV encontrou centenas de pedidos feitos por contas diferentes, mas com o mesmo endereço em um centro logístico na cidade de Okayama. De lá, as obras seguiam para os destinos finais. A empresa responsável pelo centro não informou à imprensa japonesa quem estava por trás das compras. 

Ilustração artística em estilo conceitual sobre fundo bege, coberto pela palavra "Claude" repetida em letras brancas na vertical, mostrando no centro o contorno estilizado de uma silhueta humana preta com um diagrama de rede neural de nós e linhas pretas em seu interior, e uma explosão estelar geométrica laranja-terracota atrás de sua cabeça, com o logotipo "tecnoblog" no canto inferior direito.
Anthropic teve que pagar US$ 1,5 bilhão por uso de livros (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A suspeita é que pelo menos parte dessas compras esteja relacionada ao treinamento de sistemas de inteligência artificial. Empresas do setor já compram livros em grandes quantidades para digitalizar o conteúdo e usá-lo no treinamento de modelos de linguagem (LLMs).

Na maioria dos casos, os exemplares são desmontados, as páginas passam por scanners e o texto é convertido em arquivos digitais. Depois, os livros físicos podem ser descartados. 

Essa prática ganhou atenção nos EUA durante o processo envolvendo a Anthropic. Documentos do caso revelaram que a empresa criou uma operação para comprar milhões de livros físicos, digitalizar o conteúdo e destruir os exemplares depois. O objetivo era formar um acervo digital para o desenvolvimento do Claude. A empresa foi condenada a pagar US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,6 bilhões) por direitos autorais.

Fonte: Tecnoblog

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