MPF pede explicações ao iFood após suposta campanha contra entregadores

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo enviou um despacho ao iFood pedindo explicações sobre a suposta campanha realizada pelo aplicativo para sabotar greves de entregadores. A empresa deverá prestar esclarecimentos sobre a criação de páginas e perfis falsos no Facebook e no Twitter que simulavam postagens de motoboys. Para o MPF, a plataforma pode ter violado direitos dos trabalhadores e do acesso à informação.
O despacho do MPF é assinado pelo procurador da República, Yuri Corrêa da Luz. O documento foi autuado a partir de representação do Grupo de Trabalho (GT) de Direitos Humanos e Empresas da PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão), com base na reportagem da Agência Pública, que revelou o esquema do iFood.
No prazo de 15 dias, o aplicativo deve fornecer ao MPF mensagens, gravações e contratos ligados à campanha de marketing realizada para simular postagens de entregadores. A plataforma de delivery também teria se infiltrado em paralisações de motofretistas conhecidas como “breques”, na tentativa de sabotar pautas trabalhistas dos autônomos.
Os procuradores exigem que as agências de marketing supostamente contratadas pelo iFood para criar a campanha — a Social QI (SQI) e a Benjamim Comunicação — apresentem documentos e contratos firmados com o iFood. Elas também devem se comprometer com a Justiça para não manipular ou excluir os oito perfis falsos que imitavam entregadores nas redes sociais.
As exigências do MPF podem levar à apuração de possíveis violações cometidas pelo iFood, como infrações contra os direitos dos trabalhadores. O órgão também investiga irregularidades contra os direitos à informação, à verdade, à liberdade de associação, de reunião e de manifestação, e à liberdade de gozar de condições justas de trabalho.
A entidade ainda acusa o iFood de manipular a “compreensão dos fatos”. Conforme o MPF, a estratégia de marketing da plataforma pode ter provocado a alteração da percepção de consumidores e entregadores, ao simular “participações espontâneas no debate público da internet”. Nesse sentido, os procuradores avaliam que o aplicativo teria praticado desinformação.
Fonte: Tecnoblog
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