Sistema contra telemarketing da Vivo gera polêmica e 10 processos na Anatel

Uma nova tecnologia criada para dar fim às chamadas de telemarketing se transformou numa dor de cabeça para a Vivo, que já enfrenta dez processos na Anatel, segundo apuração do Tecnoblog. A Vivo defende que a ferramenta batizada de Anti Spam protege os clientes de chamadas massivas e sem identificação, entre outras situações. Por sua vez, outras empresas do setor questionam o método adotado.
A Vivo começou a testar publicamente o Vivo Anti Spam em dezembro de 2024, conforme revelamos em primeira mão no Tecnoblog. A ideia inicial era cobrar mensalidade de R$ 9,90 por um serviço que bloqueia chamadas indesejadas diretamente na rede da prestadora. O telefone nem toca. Posteriormente, a Vivo liberou a novidade de forma gratuita e automática para os clientes de telefonia móvel no controle e pós-pago.
Dezoito meses depois do anúncio, pelo menos dez processos administrativos correm na Agência Nacional de Telecomunicações com o objetivo de suspender a tecnologia. Nós nos debruçamos sobre os documentos: eles mostram que empresas de telefonia passaram a ter dificuldades para completar chamadas telefônicas para números da Vivo.
Num dos episódios mais interessantes, a empresa de infraestrutura de telecom 3Corp relata que a telefonia corporativa em nuvem fornecida à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo não completa chamadas. De acordo com a representação administrativa protocolada na Anatel, mais de 25 mil números usados pela secretaria em hospitais, UPAs, UBS e unidades administrativas foram afetados, e assuntos importantes, como o contato com pacientes e campanhas de vacinação, podem deixar de ser tratados devido a essa dificuldade.
A 3Corp abriu bilhetes de anormalidade e seguiu os trâmites para se comunicar com a Vivo sobre as dificuldades. Já a gigante de origem espanhola essencialmente disse que não havia problema técnico: segundo a representação, ela encerrou os chamados sob a alegação de “abertura indevida”, afirmando que o bloqueio decorria de política deliberada do sistema Anti Spam, e não de falha na rede.

No ofício à Anatel, a 3Corp diz que o bloqueio atinge números usados por 1.089 unidades de saúde e prédios administrativos da secretaria, o que pode ocasionar “sérios prejuízos” à prestação de serviços públicos essenciais, como confirmação de consultas e comunicação institucional.
Fonte: Tecnoblog
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