Telebras desiste de usar cabo submarino Ellalink que ligará Brasil à Europa

O cabo submarino Ellalink foi pensado para que a conexão brasileira à internet dependa menos dos EUA, especialmente após as espionagens da NSA reveladas por Edward Snowden. A Telebras havia prometido comprar o “direito irrevogável de uso” quando ele estivesse pronto; agora, em vias de ser privatizada, a estatal pede que o acordo seja rescindido.
Em 26 de dezembro, a Telebras disse em fato relevante à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que “encaminhou carta à empresa Ellalink Ireland propondo rescindir amigavelmente o contrato de Direito Irrevogável de Uso de conexão via cabo submarino entre o Brasil e Europa”.
Ela explica no fato relevante que, na Lei Orçamentária Anual de 2020 enviada para sanção do presidente Jair Bolsonaro, “não consta a rubrica orçamentária necessária para os investimentos na conexão via cabo submarino entre o Brasil e Europa”.
Ou seja, muito provavelmente não haverá dinheiro para assumir qualquer pagamento relativo ao cabo em 2020. A Telebras propôs uma rescisão amigável com a EllaLink porque “não vê condições para prosseguir com o projeto”.
A limitação do orçamento pode estar relacionada à futura privatização da Telebras: ela entrou no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) para uma avaliação de como poderá ser repassada ao setor privado; o processo de análise pode levar “dois anos ou mais”, segundo autoridades do governo.
Isso também pode ser uma forma de evitar mais prejuízos para a estatal, que acumulou perdas financeiras de mais de R$ 700 milhões entre 2016 e 2018.
Fonte: Tecnoblog
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