Telegram pode ser banido na Alemanha (e no Brasil) por não responder a governos

O governo da Alemanha acusa o Telegram de ter sido o fio condutor de ações violentas no país; a Justiça local vem notificando o aplicativo, mas não obteve resposta. O Brasil está com um problema semelhante: o TSE tenta combater fake news antes das eleições, e esse tipo de conteúdo vem se alastrando no mensageiro – mas a companhia não dá retorno. Em ambos os casos, o app corre risco de ser bloqueado.
O governo alemão identificou um crescente movimento de grupos extremistas utilizando o Telegram. Anti-vaxxers (pessoas contrárias a vacinas) e membros da extrema-direita se reúnem nos grupos do aplicativo, inclusive para planejar manifestações violentas contra as medidas restritivas no combate à COVID-19.
Como exemplo, houve um plano para assassinar o primeiro-ministro da Saxônia, Michael Kretschmer, em retaliação contra as restrições impostas na pandemia. A polícia alemã identificou os responsáveis após fazer uma busca em cinco imóveis ligados a membros de um grupo do Telegram.
O gerente de pesquisa do Institute for Strategic Dialogue (ISD), Jakob Guhl, diz em entrevista à Wired que grupos da extrema-direita explodiram na Alemanha durante a pandemia. Antes, eles conseguiam no máximo 40 mil inscritos; agora, alguns deles ultrapassam 200 mil usuários.
Esse crescimento vem, em parte, dos anti-vaxxers: eles levantam a teoria da conspiração de que o coronavírus é um pretexto para instalar um Estado autoritário, inclusive, inflamando a violência contra políticos.
“Fui pego de surpresa com a rapidez em que as pessoas que não estavam envolvidas anteriormente em movimentos ideológicos foram radicalizadas, e em como os apelos à violência são extremos e frequentes.”
Fonte: Tecnoblog
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