Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de outubro de 2021 · 2 min de leitura ·

Não foram os aliens: sinais de rádio de Proxima Centauri são “interferência humana”

Não foram os aliens: sinais de rádio de Proxima Centauri são "interferência humana"

Sinais de rádio vindos de Proxima Centauri, a estrela que está mais perto da Terra, eram resultado de interferência causada por tecnologia humana, segundo especialistas, e não evidências de “tecnoassinatura alienígena”, como previamente especulado.

Originalmente captados em 2019, os sinais empolgaram entusiastas da astronomia, que especularam tratar-se de ondas de rádio emitidas por tecnologia extraterrestre. A captação foi feita por telescópios apontados na direção da estrela Proxima Centauri, localizada há quatro anos-luz da Terra e que serve de casa para pelo menos dois exoplanetas.

Dois novos estudos refizeram a análise do material e concluíram, porém, que a maior probabilidade é a de que os tais sinais de rádio tenham uma origem mais simples: “é a interferência de rádio de alguma tecnologia feita por mãos humanas, provavelmente na superfície da Terra”, disse Sofia Sheikh, astrônoma da Universidade de Berkeley, na Califórnia, e co-autora dos dois estudos, à Nature.

Em um dos papers, Sheikh e sua equipe referem-se ao “BLC1” (nome atribuído ao sinal) como “um disparo contínuo de ondas de rádio” que durou em média cinco horas. Ele foi registrado durante uma pesquisa de aproximadamente 26 horas feita pelo telescópio Parkes Murriyang, na Austrália. Ele acabou se destacando de outros sinais pela sua duração e frequência incomuns.

Depois de varreduras seguintes não encontrarem novamente o BLC1 (ou sinais de rádio parecidos em Proxima Centauri), os cientistas voltaram aos dados primários da pesquisa, onde encontraram que seu próprio software que separa e classifica os sinais identificados – e que havia falhado na captura de diversos sinais antes e depois do BLC1 – era bastante similar, mas em uma frequência diferente.

No segundo paper, os pesquisadores descobriram que o BLC1 e todos os sinais parecidos com ele eram componentes da mesma fonte: algum emissor próximo à região do telescópio (em torno de algumas centenas de quilômetros de distância). O aparecimento dele durante aquelas primeiras cinco horas – e nunca mais depois – foi uma coincidência.

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