Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Cientistas recriam canção pirata usando dados de tempestades marítimas

Cientistas recriam canção pirata usando dados de tempestades marítimas

Cânticos antigos são uma forma divertida de mostrar facetas do nosso mundo que, demonstradas de outra forma, podem não ser tão interessantes e resultar na perda de mensagens importantes. Com essa ideia, pesquisadores recriaram uma antiga música pirata usando dados de tempestades marítimas, chamando atenção para o impacto do aquecimento global.

Quando falamos em “música pirata”, estamos aqui falando no sentido literal: a canção intitulada “What Shall We Do With a Drunken Sailor” (“O Que Vamos Fazer Com um Marinheiro Bêbado”, na tradução literal) é o que historiadores chamam de “sea shanty”, ou seja, canções entoadas por marinheiros para ajudar a passar o tempo durante os trabalhos diários de manutenção dos navios.

Abaixo, mostramos o trabalho feito pelos cientistas e, em seguida, uma versão contemporânea da canção, mais próxima da original, popularizada pela banda folk Irish Rovers, na década de 1960:

“Historicamente, dados científicos são normalmente entregues de forma visual, na presença de gráficos ou ilustrações”, disse Richard Thompson, diretor do Instituto Marinho da Universidade de Plymouth, que colaborou com o projeto. “Entretanto, a combinação de som e imagem oferece alternativas significativamente mais atraentes para passar uma informação.

Segundo ele, “[o projeto intitulado] ‘Canção dos Mares’ é uma maneira inovadora de usar dados climáticos reais de forma a controlar a música. E com eventos naturais extremos aumentando em volume e ferocidade [nos próximos anos], não há barreiras para que esses princípios sejam aplicados para representar os efeitos de longo prazo do aquecimento global em nosso planeta”.

Em 2015, o compositor brasileiro Eduardo Miranda, amplamente conhecido no Reino Unido por sua especialização em eletroacústica (e que hoje lidera o Centro Interdisciplinar de Pesquisa de Músicas Computadorizadas – ICCMR – na Universidade de Plymouth) criou o que foi chamado de “biocomputador musical”, um artefato que traduz a energia elétrica gerada pelo movimento de bolor (sim, o bolor que você vê em paredes, causado pela umidade) em som, e compôs “músicas” com ele – Miranda chegou a entoar um dueto com o bolor em um festival na época.

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