Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 19 de novembro de 2018 · 2 min de leitura ·

Uma viagem de carro em 2050*

Uma viagem de carro em 2050*

São Paulo, manhã de um dia em 2050. Uma reunião de negócios em Campinas é marcada de última hora. Você abre um aplicativo de compartilhamento de viagens no seu celular e vê que em meia hora um carro vai sair do lado do seu escritório – e chegar um quarteirão do seu destino final – com outras três pessoas. No ponto de partida, as quatro pessoas entram no carro como passageiros – o carro é autônomo, sem motorista.

No caminho, todos os carros são autônomos. Mais que isso, eles se comunicam entre si e com sensores na estrada, que indicam, por exemplo, a velocidade máxima permitida. Os veículos negociam ultrapassagens (se ainda necessárias!) em tempo real e tem conhecimento da posição de todos os carros na área. Acidentes graves são coisa de museu desde 2046.

Depois de uma hora de bate-papo com seus companheiros de viagem, o carro chega ao destino final e, após os passageiros desembarcarem, não vai colocar combustível no tanque, mas sim recarregar a bateria – afinal, o carro é elétrico.

Parece distante, mas, pensando bem, já vimos esse filme. Tudo o que acontece aí é reflexo de quatro macro-tendências dos setores automotivo e de mobilidade: o carro do futuro será compartilhado, autônomo, conectado e elétrico. São tendências interligadas naturalmente, como veremos a seguir.

Este é o aspecto mais forte já em 2018: muitos de nós já usamos aplicativos de transporte individual, de carona ou de carros compartilhados para nos deslocarmos nas grandes cidades ou pegar a estrada. O carro está se tornando cada vez mais compartilhado – ou seja, utilizado por outras pessoas além do dono do veículo. A posse de veículos por pessoas físicas, por sinal, será substituída por frotas geridas por empresas: locadoras de carro (tradicionais ou sob demanda), operadoras de frota ou até as próprias montadoras. Outra maneira de enxergar esse fenômeno é que cada vez mais pessoas vão preferir contratar o serviço de transporte entre A e B ao invés de comprar o carro.

Note que o compartilhamento é um elemento quase obrigatório – um passo intermediário – na migração de carros conduzidos por humanos para carros autônomos (ver mais abaixo), pelo menos pensando no carro de passeio tradicional. A recíproca é verdadeira: carros autônomos tornarão o ‘matching’ das plataformas de compartilhamento muito mais eficiente.

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