
Pesquisas nucleares dependem de bilhões de dólares para serem conduzidas de forma apropriada – e nem todo mundo tem esse montante financeiro disponível. Por isso, a Academia de Ciências da China, usando ouro, desenvolveu um novo método que promete chegar à fusão nuclear custando bem menos, mas sem sacrificar a capacidade vista em projetos melhor financiados.
A descoberta veio por meio de um problema comum: falta de orçamento. Basicamente, a academia chinesa precisava de dinheiro para a sua pesquisa, mas ao longo de seis anos, apenas US$ 156 milhões (R$ 862,71 milhões) foram direcionados à ela pelo governo. Para fins comparativos, um projeto similar conduzido pelo time do Reator Térmico Experimental, na França, tem um orçamento estimado entre US$ 45 bilhões (R$ 248,86 bilhões) e US$ 65 bilhões (R$ 359,46 bilhões).
Outro problema do time chinês: o procedimento padrão envolvia apontar 100 lasers poderosos na direção de um único alvo. Eventualmente, porém, os espelhos usados para disparar os referidos lasers se deformavam, reduzindo a sua eficácia.
A solução para isso envolveu o uso de dois lasers mais fracos, disparados contra dois pequenos “cones” de ouro, o que resultou neles emitindo plasma de hidrogênio um para o outro. Com os parâmetros exatos de condução do teste, foi possível atingir a fusão nuclear e, ao mesmo tempo, valer-se de um custo “praticamente negligível em operações futuras de uma usina”, de acordo com Zhang Zhe, chefe de pesquisa por trás do experimento, que falou ao jornal South China Morning Post.
“[Nós] podemos fazer milhares de cones com apenas uma grama de ouro”, disse o pesquisador.
Esse é mais um projeto direcionado à fusão nuclear sustentada, nome dado ao processo onde a produção de energia se torna auto suficiente, ou seja, a reação energética não precisa de estímulos externos para se manter e produzir mais energia do que o necessário. É o que acontece normalmente no interior das estrelas, mas é algo bem difícil de ser reproduzido em laboratório.
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