Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Chineses estão usando ouro para atingir fusão nuclear sem custos proibitivos

Chineses estão usando ouro para atingir fusão nuclear sem custos proibitivos

Pesquisas nucleares dependem de bilhões de dólares para serem conduzidas de forma apropriada – e nem todo mundo tem esse montante financeiro disponível. Por isso, a Academia de Ciências da China, usando ouro, desenvolveu um novo método que promete chegar à fusão nuclear custando bem menos, mas sem sacrificar a capacidade vista em projetos melhor financiados.

A descoberta veio por meio de um problema comum: falta de orçamento. Basicamente, a academia chinesa precisava de dinheiro para a sua pesquisa, mas ao longo de seis anos, apenas US$ 156 milhões (R$ 862,71 milhões) foram direcionados à ela pelo governo. Para fins comparativos, um projeto similar conduzido pelo time do Reator Térmico Experimental, na França, tem um orçamento estimado entre US$ 45 bilhões (R$ 248,86 bilhões) e US$ 65 bilhões (R$ 359,46 bilhões).

Outro problema do time chinês: o procedimento padrão envolvia apontar 100 lasers poderosos na direção de um único alvo. Eventualmente, porém, os espelhos usados para disparar os referidos lasers se deformavam, reduzindo a sua eficácia.

A solução para isso envolveu o uso de dois lasers mais fracos, disparados contra dois pequenos “cones” de ouro, o que resultou neles emitindo plasma de hidrogênio um para o outro. Com os parâmetros exatos de condução do teste, foi possível atingir a fusão nuclear e, ao mesmo tempo, valer-se de um custo “praticamente negligível em operações futuras de uma usina”, de acordo com Zhang Zhe, chefe de pesquisa por trás do experimento, que falou ao jornal South China Morning Post.

“[Nós] podemos fazer milhares de cones com apenas uma grama de ouro”, disse o pesquisador.

Esse é mais um projeto direcionado à fusão nuclear sustentada, nome dado ao processo onde a produção de energia se torna auto suficiente, ou seja, a reação energética não precisa de estímulos externos para se manter e produzir mais energia do que o necessário. É o que acontece normalmente no interior das estrelas, mas é algo bem difícil de ser reproduzido em laboratório.

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