Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Estudo afirma que a Lua tem “bolsões” de gás carbônico que podem ser usados para gerar combustível e cultivar plantas

Estudo afirma que a Lua tem “bolsões” de gás carbônico que podem ser usados para gerar combustível e cultivar plantas

Um novo estudo faz uma afirmação que pode ajudar muito a colonização da Lua, ao sugerir que o satélite tem “bolsões” de gás carbônico (CO2) que, caso sejam confirmados, poderão ser usados para a cultivo de plantas e produção de combustível – em termos diretos, tornando a exploração e estabelecimento de bases na Lua auto suficiente (ou perto disso).

O paper foi publicado no jornal científico Geophysical Research Letters e menciona a existência de uma anomalia conhecida como “armadilha fria”. Basicamente, isso consiste de um fenômeno raro onde o dióxido de carbono (outro nome para o CO2) se acumula em um mesmo espaço por longos períodos de tempo.

Tal fenômeno já foi observado não só na Lua, mas também em outros planetas – como é o caso da identificação de água presa em regiões específicas (ou formações desérticas que, há bilhões de anos, eram corpos de água).

No caso da Lua, o nosso satélite é quase que inteiramente recheado de crateras, que afundam partes de sua superfície, impedindo que a luz do Sol chegue até elas. Como ela não tem atmosfera, as noites na Lua podem chegar a temperaturas de frio extremo – em média, -183º C (Celsius).

O CO2 tem uma temperatura de congelamento que começa em -78º C. Considerando um ambiente onde seu acúmulo é favorecido e o Sol não consiga aquecer a área, faz sentido que o gás possa até mesmo congelar e ser mantido ali por muitos anos.

“Eu acho que, quando começamos [o estudo], a pergunta era ‘Podemos confirmar com confiança se há armadilhas de CO2 na Lua ou não?’”, disse Norbert Schörghofer, cientista do Instituto de Ciências Planetárias em Honolulu, no Havaí. “A minha surpresa foi descobrir que eles definitivamente estão lá. Pode ser que nós não tenhamos conseguido estabelecer sua presença até agora – eles podem ter aparecido como um pixel em algum mapa -, então eu acho que a surpresa mesmo foi o fato de termos encontrado regiões contíguas que são frias o suficiente para isso, sem sombra de dúvida”.

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