Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Homem australiano encontrou raro meteorito, pensando ser ouro

Homem australiano encontrou raro meteorito, pensando ser ouro

Em 2015, o australiano David Hole, que tem o hábito de caminhar pela região de Goldfields, na Austrália, com um detector de metal, encontrou um tipo raro de meteorito, sem necessariamente se dar conta da natureza da rocha. Pensando haver ouro dentro dela, ele tentou de tudo para abrir o objeto, sem sucesso.

Ao ver a resistência do meteorito contra todas as suas ferramentas de caça a ouro (até ácido foi despejado, sem alteração), Hole desistiu e levou a rocha até o museu de Melbourne, onde a sua natureza lhe foi revelada pelo geólogo Dermot Henry, que trabalha na instituição.

“[A rocha] tinha esse visual esculpido, meio desenhado”, disse Henry. “Isso acontece quando elas atravessam a atmosfera: as rochas começam a derreter em seu exterior, e a atmosfera as esculpe”.

Segundo o especialista, ele trabalha no museu há quase 40 anos, e sempre recebe para análise pedras que as pessoas pensam ser meteoritos. Em quase quatro décadas, em apenas duas ocasiões isso foi verdade: o meteorito que David Hole pensava guardar ouro foi uma delas.

Junto de outro geólogo, Bill Birch, Dermot Henry publicou recentemente um paper com suas conclusões de estudos do meteorito: é uma rocha de aproximadamente 4,6 bilhões de anos, com 17 quilogramas (kg) de peso e uma alta concentração de ferro em sua composição – o que faz dela um “condrito comum de quinta categoria” (ou “H5 Ordinary Chondrite”). Em termos menos técnicos, é um tipo de meteorito relativamente comum.

“Os meteoritos consistem da forma mais barata de exploração do espaço”, disse Henry. “Eles nos levam de volta no tempo, trazendo pistas sobre a idade, formação e química do nosso sistema solar – incluindo a Terra. Alguns ainda trazem uma espécie de ‘janela’ aberta para o interior do nosso planeta. Em alguns meteoritos, ainda há a presença de poeira estelar, com partículas mais velhas que o nosso sistema solar, o que nos mostra como as estrelas se formam e evoluem para criar os elementos de nossa tabela periódica”.

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