Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

O que são os “falsos fósseis” e como eles podem atrapalhar a exploração de Marte?

O que são os “falsos fósseis” e como eles podem atrapalhar a exploração de Marte?

A busca pela vida no espaço pode passar por um novo obstáculo – os “falsos fósseis” – segundo novo estudo publicado no Journal of Geological Society. Segundo os autores, eles podem representar um acréscimo no volume de “falsos positivos”, ou seja, diagnósticos e classificações erradas, que só serão desmentidas muitos anos depois de suas respectivas descobertas.

O estudo chama a atenção da comunidade científica, considerando a crescente exploração de Marte e a quantidade de rovers que já se encontram lá, ou estão a caminho do planeta vermelho. Atualmente, o Zhurong (China), o Curiosity e o Perseverance (NASA/EUA) desbravam o terreno do nosso vizinho planetário, e a agência espacial europeia (ESA) pretende lançar o Rosalind Franklin para lá em 2022.

Considere que todos os artefatos enviados a Marte – e até mesmo sondas exploratórias em outras regiões, como as luas de Júpiter – estão em busca de uma coisa bem específica: “bioassinaturas”. Basicamente, são traços de atividade biológica que podem representar vida – bacteriana ou não – em outros planetas. Tais detalhes podem ser representações de um organismo ou de algum efeito ou traço deixado por ele.

Mas segundo Julie Cosmidis, co-autora do novo paper e geobióloga na Universidade de Oxford, há mais com o que nos preocuparmos do que a presença ou ausência desses sinais: “há uma chance real de que, um dia, vamos observar algo em Marte que parece ser extremamente biológico, apenas para percebermos anos mais tarde, após maiores pesquisas, que tal coisa na verdade se formou por processos não-biológicos”.

Sean McMahon, astrobiólogo da Universidade de Edinburgo, na Escócia, e coautor do estudo, concorda: “o problema é que nós nos tornamos tão bons em encontrar a vida, que nós conseguimos vê-la até quando ela não está lá”.

O paper posiciona que o mesmo processo que pode levar a falsos positivos aqui na Terra poderia existir no espaço – mas com consequências bem mais notáveis. Segundo McMahon, o volume de estruturas, materiais e compostos químicos que podem nascer de forma não biológica se mistura com aqueles produzidos de forma biológica. “Alguns fenômenos”, ele comenta, “vêm sendo debatidos há décadas e ainda hoje, não sabemos o que exatamente eles são”.

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