Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Mosaico romano é descoberto em propriedade de fazendeiro britânico

Mosaico romano é descoberto em propriedade de fazendeiro britânico

O mosaico central de um edifício romano foi desenterrado em uma propriedade de um fazendeiro no Reino Unido, após recomendação do Departamento de Cultura, Mídia, Digital e Esporte (DCMS) da Inglaterra de estabelecer uma ordem de proteção histórica à área.

A decisão vem como forma de assegurar a continuidade de um trabalho iniciado há cerca de um ano pela Universidade de Leicester. Em 2020, Jim Irvine, filho do proprietário Brian Taylor, encontrou os primeiros sinais de que o edifício romano estaria sob a propriedade de sua família. Ele prontamente entrou em contato com as autoridades, mas a quarentena contra a Covid-19 estabelecida na época causou atraso nas análises técnicas e início das escavações.

Dada a natureza da descoberta, a universidade concedeu financiamento para o início urgente de escavações e retirada de materiais essenciais. Em setembro de 2021, alunos e professores da faculdade identificaram o mosaico principal, medindo 11×7 metros (m) e contando parte da história do guerreiro Aquiles – um dos personagens mais conhecidos do conto “Ilíada”, de Homero, que narra os eventos da Guerra de Tróia na mitologia grega.

De acordo com o estilo artístico e os desenhos vistos no chão do edifício romano, os especialistas presumiram estar em uma área pública, provavelmente um salão de grandes jantares ou palco alguma outra forma de entretenimento. Mosaicos desse tipo eram comumente encontrados na arquitetura romana, sempre exibindo contos mitológicos e grandes histórias.

Apelidado “Mosaico de Rutland”, a peça mostra especificamente a luta de Aquiles contra o príncipe Heitor, filho de Príamo, rei de Tróia. Segundo o conto da Ilíada, Aquiles matou Heitor em um estado de fúria após o príncipe ter assassinado Pátroclo, amigo de infância, companheiro de guerra e (segundo historiadores contemporâneos) amante do guerreiro grego.

O prédio é parte de uma vila completa estabelecida no final do período romano, entre os séculos 3 e 4. Neste período, historiadores afirmam que o Império Romano, logo após o assassinato do imperador Alexandre Severo, entrou em crise, enfrentando extrema dificuldade econômica causada pela inflação, bem como perdendo cada vez mais terreno para as invasões bárbaras, eventualmente se dividindo entre o Império das Gálias, a oeste; e o Império de Palmira, a leste.

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