Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Luz da colisão de dois buracos negros pode ter sido observada pela 1ª vez

Luz da colisão de dois buracos negros pode ter sido observada pela 1ª vez

Do pouco que entendemos do espaço, sabemos que nem mesmo a luz escapa da força gravitacional dos buracos negros. Entretanto, uma ocasião recentemente observada por astrônomos do Observatório Palomar, na Califórnia, pode, com o perdão do trocadilho, “jogar mais luz” nessa premissa.

De acordo com um comunicado emitido pela NASA, os especialistas podem ter observado, pela primeira vez, a luz resultante do choque de dois buracos negros que bateram um contra o outro em maio de 2019, em um evento nomeado “GW190521g”.

O motivo da apreensão neste caso é justificado: como dissemos, buracos negros não têm luz própria, nem tampouco refletem a luz de outros objetos – que é como observamos a maioria dos eventos espaciais. Além disso, sua capacidade gravitacional é tão intensa que nem mesmo a luz – que viaja pelo universo a quase 300 mil quilômetros por segundo (km/s) – consegue escapar de sua influência.

Mas então, o que é essa “luz dos buracos negros” mencionada pela NASA? Bom, os cientistas e a agência espacial americana acreditam tratar-se da matéria em volta dos objetos que se chocaram, conforme regem algumas teorias que postulam que choques entre objetos massivos no espaço podem fazer com que a matéria ao seu redor emita luz.

A suspeita ainda não foi cientificamente confirmada, mas a especulação tem uma base mais sólida aqui: usando duas estruturas especificamente criadas para a detecção de ondas gravitacionais – a colaboração científica LIGO (ou Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) e o detector Virgo, os cientistas estavam ativamente buscando por esse tipo de “luz”, e acham tê-la encontrado no choque dos dois buracos negros.

Nos últimos seis anos, desde quando, em 2015, observamos as ondas gravitacionais pela primeira vez, nós aprendemos muito mais sobre buracos negros do que em décadas anteriores. Essencialmente, eles são perturbações no tempo-espaço previstas na Teoria Geral da Relatividade, postulada por Albert Einstein em 1915.

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