Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de dezembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Ausência de matéria escura em galáxia distante desafia cientistas

Ausência de matéria escura em galáxia distante desafia cientistas

O consenso científico diz que a matéria escura é a “cola” que prende todos os elementos de uma galáxia e, consequentemente, é considerada uma parte essencial para a criação dela. Mas como explicar uma galáxia que, aparentemente, não tem nenhuma matéria escura?

Essa é a situação atualmente enfrentada por cientistas do ASTRON, o instituto de radioastronomia da Holanda, que se depararam com a galáxia “AGC 114905”, localizada há 250 milhões de anos-luz da Terra: “nós não podemos explicar isso com nenhuma teoria atualmente existente”, disse Mancera Piña, autor primário de um novo paper que estuda a galáxia elusiva.

Em termos de cosmologia, a “matéria escura” é o tipo de matéria formada por partículas que não absorvem, emitem nem interagem com a luz. Por causa disso, ela não pode ser diretamente observada, e nós só conseguimos perceber a sua presença por meio de radiação eletromagnética e a influência de sua força gravitacional em corpos celestes próximos. Estima-se que 25% do universo conhecido é feito de matéria escura.

No caso da AGC 114905, porém, as coisas ficam um pouco mais complicadas: oficialmente classificada como uma galáxia “ultradifusa”, ela tem mais ou menos o mesmo tamanho da nossa Via Láctea, mas mil vezes menos estrelas que a nossa casa. Consequentemente, observar a galáxia descoberta em 2019 é um pouco mais difícil.

Naquele ano, Piña e seus colegas olharam para a AGC 114905, suspeitando que não houvesse matéria escura na galáxia por causa da velocidade com que ela executava sua rotação – a velocidade desse movimento indica quantas coisas existem dentro de uma galáxia: gás, poeira cósmica e estrelas, por exemplo. Com isso, astrônomos podem fazer um cálculo reverso e determinar quanta matéria escura corresponde à velocidade observada.

Mas porque ela tem pouca luminosidade e brilho, ficou difícil determinar a velocidade real de rotação da galáxia, então os cientistas decidiram recorrer ao Very Large Array (VLA), o observatório de grande porte no Novo México, para mapear os gases da AGC 114905.

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