Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 27 de dezembro de 2019 · 2 min de leitura ·

Seu carro sabe mais sobre você do que você imagina

Seu carro sabe mais sobre você do que você imagina

Os carros modernos estão cada vez mais informatizados e conectados. Há computadores que controlam a injeção eletrônica, que coletam dados sobre o estado do veículo ou que administram sistemas de navegação e entretenimento. Segundo James Mason, engenheiro norte-americano que trabalha na reconstrução forense de acidentes de trânsito, os sensores de um carro moderno podem, juntos, gerar 25 Gigabytes de dados por hora.

Com tantos computadores e sensores, é de se esperar que os dados coletados possam revelar um pouco sobre um motorista e seus hábitos ao volante. Mas quanto pode ser revelado? Foi o que o jornal Washington Post se propõs a descobrir.

Mason e o colunista de tecnologia Geoffrey Fowler acessaram o computador responsável pelo sistema de entretenimento de um Chevrolet modelo 2017, e o que encontraram foi estarrecedor. Além de um registro completo de todos os locais por onde o carro passou eles também viram identificadores únicos associados aos smartphones dos usuários do veículo e até mesmo dados pessoais, como nomes, endereços, números de telefone e registros de chamada, copiados das agendas dos aparelhos.

Embora o acesso aos dados não seja fácil (Mason e Fowler levaram o carro até uma oficina para desmontar o painel e chegar até o computador), eles são suficientes para reconstruir de forma bastante precisa o dia-a-dia de um motorista.

Fowler também comprou um sistema de entretenimento usado no eBay e pediu a Mason para extrair os dados. Segundo o jornalista, “foi o suficiente para reconstruir as viagens e os relacionamentos de um total estranho no norte de Nova York. Sabemos que ele ou ela ligava frequentemente para alguém listado como “Docinho”, cuja foto também temos. Pudemos ver a localização exata do posto onde compravam gasolina, o restaurante onde comiam (chamado Taste China) e os identificadores exclusivos de seus telefones Samsung Galaxy Note”.

Segundo a GM, fabricante do veículo, “nada é coletado sem a permissão do usuário”, mas muitas vezes a autorização para isso está soterrada em longos contratos cheios de “legalês”, termos jurídicos que até um advogado teria dificuldade para entender.

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