Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Escuridão após choque com meteoro causou colapso natural há 66 milhões de anos

Escuridão após choque com meteoro causou colapso natural há 66 milhões de anos

Cientistas da Academia de Ciências da Califórnia apresentaram, durante evento, um novo estudo que mostrou como a natureza entrou em colapso graças à escuridão que sucedeu o choque do meteoro que causou a morte dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos no fim do período Cretáceo.

O meteoro – que deu origem à Cratera de Chicxulub, na Península de Yucatán no México – bateu contra o nosso planeta a uma velocidade de aproximadamente 43 mil quilômetros por hora (km/h), causando erupções vulcânicas e incêndios florestais imensos. Quando as chamas baixaram, a poeira de cinzas e partículas levantadas à atmosfera foi tão densa que fez com que a Terra entrasse, literalmente, em um período de escuridão.

De acordo com os estudiosos, esse “tampão de poeira” impediu que a luz do Sol chegasse à nossa superfície, inviabilizando o processo de fotossíntese das plantas que sobreviveram à pancada. Em estudos anteriores, cientistas afirmaram que isso causou o chamado “inverno nuclear da Terra”, onde a ausência de luz do Sol (e, consequentemente, calor) trouxe o início de uma das muitas eras do gelo pelas quais passamos, efetivamente matando muitos dos poucos sobreviventes do impacto.

Entretanto, apenas recentemente nós adquirimos a capacidade de estudar os efeitos a curto e longo prazo dessa escuridão sobre a vida: “o pensamento comum é o de que os incêndios florestais em nível global teriam levantado cinzas e fuligem até a atmosfera”, disse Peter Roopnarine, da curadoria de geologia no Departamento de Zoologia dos Invertebrados na Academia de Ciências da Califórnia. “A concentração de fuligem dentro dos primeiros dias ou semanas dos incêndios seriam altas o suficiente para baixar o volume de luz do sol, a um nível tão baixo que impedia a alimentação das plantas”.

Para o estudo apresentado, a equipe de Roopnarine criou modelos virtuais que reconstruíram comunidades ecológicas existentes na época do impacto. Eles usaram materiais orgânicos da região conhecida como “Hell Creek”, um dos maiores sítios paleontólogos do mundo, com partes em três estados dos EUA e muito rico em material fóssil da Era Cretácea.

“Nós nos concentramos nessa região porque o registro de fósseis dela é muito bem estudado e compreendido ecologicamente, então pudemos reconstruir a paleocomunidade de forma confiável”, disse Roopnarine.

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